segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sequência

Sábado teve festinha para comemorar o aniversário de um brother e mais quatro amigos dele. Público bem diferente daquele que eu costumo tocar. Landscape é meio jogo ganho né, a gente já sabe o que dá certo e o que dá errado na maioria das vezes. Nesse convescote, Bode Velho e Leandro Galvão me antecederam nas pick-ups. Cada um no seu metier, acabou comigo a missão de agradar o público feminino presente à festa. Como se isso fosse um grande sacrifício... Deixei claro que não tocaria funk nem axé, mas que rolariam algumas baixarias. Olhando os dois sets, de 45 minutos cada, acho que dava até para rolar uma Landscape. A primeira ficou bem mais pop, rolou até Britney e Justin Timberlake. A segunda, já no fim da festa, foi bem rock clássico, com três exceções no meio.

1ª sequência:
Katy Perry - Hot 'n cold
Elvis x JXL - A little less conversation
James Brown x Prince - Sex kiss machine
Madonna - Hung up
Michael Jackson - Thriller
Amy Winehouse - Rehab
Britney Spears - Toxic
Justin Timberlake - Sexyback
Cake - I will survive
Killers - Mr. Brightside
MGMT - Kids
The Ting Tings - Great dj

2ª sequência
Johnny Cash - Folsom prison blues (live)
Beach Boys - Wouldn't it be nice
Beatles - Yellow submarine
Rolling Stones - Satisfaction
Jackson 5 - I want you back
Teenage Fanclub - Like a virgin
Michael Jackson - Billie Jean
The Wonders - That thing you do
Kiss - Rock'n roll all nite
AC/DC - Jailbreak
Creedance Clearwater Revival - Fortunate son
Bill Medley - (I've had) The time of my life

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Rob Flemming/Gordon

Depois de um bom tempo, voltei a ter ideias para atualizar o blog. É engraçado, mas parece que a gente é movido por razões obscuras. Desta vez, um fim de semana ilhado em casa, sem poder sair por conta de uma gripe que seria pior caso não ficasse de quarentena. Aí, na madruagada de domingo, enquanto tomava banho, comecei a matutar sobre um novo top 5, um que serviria para tirar as teias de aranha impregnadas por aqui e que aliasse minhas duas grandes paixões artísticas: cinema e música. O desafio era fugir do senso comum, mas sem deixar de lado todas as coisas que eu gosto. Acabei formulando cinco melhores cenas embaladas por música. O nome é grande, eu sei. Só que é simples... são aquelas cenas que sem a música não funcionariam. Neste quesito, ninguém bate Tarantino. Como sempre, farei em ordem alfabética, pelo nome do filme.

1- Curtindo a vida adoidado (Ferris Bueller's day off, 1986)
Beatles - Twist and shout



A cena, pra mim, é a mais determinante no filme, a que faz valer o título em português. Lá está Ferris Bueller, o rapaz que inventou a maior artimanha para matar um dia de aula com a namorada e o melhor amigo, em cima de um carro alegórico na parada do German American Appreciation Day. Não dá para esquecer o pai dele dançando no escritório, a turma fazendo a coerografia de Thriller, do Michael Jackson... Enfim, a cena simboliza toda a festa daquele dia em que Ferris decidiu matar aula! Foi por causa do filme que eu comecei a gostar de Beatles, que eu fazia minha irmã ligar para a rádio Atlântida, lá em Florianópolis, pedindo que tocassem Twist and shout, música que Ferris canta em cima do carro. Apesar de ouvi-la repetidamente por anos e anos e anos, até hoje não enjoei. Já tive várias fases da banda, mas taí uma canção que eu não deixo de lado. Ah, pra mim, Curtindo a vida adoidado é um dos melhores filmes de adolescentes de todos os tempos (hum, mais uma ideia para um top 5).

2- Matrix (The Matrix, 1999)
Rage Against The Machine - Wake up



Sim, eu sou fã incondicional do que o Bode Velho afirma ser o filme mais superestimado de todos os tempos. Eu gosto de todas as coisas envolvendo Matrix, da pseudo filosofia aos efeitos especiais então revolucionários (olha o bullet time aí). O casamento aqui é diferente. A música funciona como uma extensão da última cena. Lá está Neo numa ligação, dizendo que vai fazer de tudo para acabar com a Matrix. Quando ele sai da cabine telefônica, os primeiros acordes furiosos de Wake up estouram os ouvidos mais incautos. A música tem o mesmo objetivo que Neo. Quer que as pessoas acordem, que elas tenham mais consciência no dia a dia. Final perfeito para um dos melhores filmes dos anos 1990.

3- À prova de morte (Death proof, 2007)
The Coasters - Down in Mexico



Nenhum cineasta contemporâneo tem a mesma capacidade que Quentin Tarantino para encontrar pérolas esquecidas da música no mundo, colocar em seus filmes e transformar as trilhas sonoras em objetos cult. Ou até mesmo reviver e colocar no mainstream gente que nunca esteve lá, como Dick Dale após Pulp fiction. Tarantino já disse que um dos seus passatempos é ficar mexendo na sua coleção de vinis, procurando canções que entrem nas suas fitas. Além de ele conseguir fazer essas descobertas, ainda tem o grande mérito de trabalha-las como parte fundamental no roteiro. É aqui que se encaixa a música do The Coasters. Sinceramente, nunca tinha ouvido falar deles até assistir a magnífica cena da lap dance de Vanessa Ferlito. Tudo se encaixa muito bem. A dança, as reações de Kurt Russell, os olhares dos espectadores no bar, a ideia que isso só poderia acontecer em um filme B... Só Tarantino poderia inventar uma cena desse tipo, sensual e engraçada ao mesmo tempo.

4- Pulp fiction - tempo de violência (Pulp fiction, 1994)
Chuck Berry - You never can tell



Taí a cena que entrou para o imaginário pop nos anos 1990. A coreografia que até hoje as pessoas repetem quando ouvem Misrilou, do Dick Dale, nas festinhas rock'n roll espalhadas pelo país. A direção que fez John Travolta dançar novamente após quase 15 anos - algo que não era a disco music dos anos 1970, por sinal. Segundo filme diriido por Tarantino, ele colocou a barra lá em cima, fazendo os fãs esperarem que em todos os filmes dele existam cenas que a música seja essencial. Sem Mia Wallace e Vincent Vega participando do concurso do Jack Rabbitt, não existiria a lap dance de À prova de morte. Além disso, muito gente por essas bandas não conheceria gente como Dick Dale, Dusty Springfield e outras pérolas presentes na trilha de Pulp fiction.

5- Watchmen (Watchmen, 2009)
Bob Dylan - The times they are a-changing



Eu poderia abrir uma exceção e colocar a sequencia inicial de créditos de Watchmen em primeiro lugar, largar um pouco a ordem alfabética... Afinal de contas, Zack Snyder ampliou o que já tinha feito em Madrugada dos mortos e chegou a cinco minutos de pura perfeição. Tudo se encaixa. Nesse pequeno tempo, ele consegue contar a história dos primeiros Minutemen, dizer como eles acabaram, fazer ligações para o futuro e contar trechos da biografia de um dos herois nesse curto espaço de tempo. Sem esquecer na música de fundo, que, além de casar perfeitamente com o que filme quer dizer, está lá nas páginas do quadrinho. The times they are a-changing é uma das minhas músicas prediletas de Bob Dylan. Ao ver a cena, fiquei arrepiado. Por mais que Watchmen seja elogiado - pra mim é um filme nota 8 -, repleto de cenas interessantes e muito bem feitas, aponto a sequencia inicial de créditos como a melhor de todas. De novo, tudo se encaixa.

segunda-feira, 9 de março de 2009

É com você, Rob Flemming

Ainda há pouco estava na fila do drive thru do Mc Donald's, depois de uma noite cheia de nãos e com nenhum sim. O vento passava forte, anunciando a chuva de quase todo santo dia nessa época do ano no planalto central. Realmente demorou para poder fazer meu pedido. Sem nada para fazer além de esperar, viajei longe e longe. Lembrei do vento suli de Florianópolis, e como gosto do frio que faz por lá. Não sei como recordei da cobrança para fazer mais top 5 por aqui. Não apareciam há um tempo no blog desde um que surgiu no Plurk. O motivo era simples: falta de inspiração. Até que ela veio. E, como da última vez, será um extremamente subjetivo. O tema: top 5 canções melancólicas/tristes. Ordem alfabética, ok crianças?


1- Aerosmith - Dream on
Aerosmith (1973)



Nos tempos de colégio, eu simplesmente odiava Machado de Assis. É difícil demais ler um cara com a complexidade dele quando você tem 15 anos. Hoje, é um dos meus escritores brasileiros prediletos. Na mesma época que eu odiava Machado, eu não parava de ouvir Aerosmith. A explicação: estava numa fase hard rock. E os clipes com Alicia Silverstone bombando na MTV também ajudavam. Agora eu passo longe; era um gosto altamente juvenil. Entretanto, algumas músicas me impressionam até hoje. Dream on é a que tem o efeito mais duradouro. Ela tem um clima pesado, muito por causa das notas no piano tocadas por Steven Tyler. Sua letra é de uma melancolia por tudo que já aconteceu, pela idade que vem chegando e está clara no espelho. Mesmo assim, ele não quer deixar de sonhar até que tudo se concretize. Repete várias vezes "dream on, dream on" como se fosse um mantra, uma tentativa de espantar a melancolia, a dor e a tristeza do começo. E ele falha.


2- Amy Winehouse - Back to black
Back to black (2006)



Sim, Amy é doidona, bebe todas, usa o que quer, apronta na hora que bem entende e se livra numa boa. Mas isso não impede a filha de um humilde taxista inglês de realmente sentir suas dores, especialmente a de perder o amor da vida para outra pessoa. Tá certo que eles não se davam muito bem assim não. Ele gostava de pó e ela de maconha. Nesse momento, até surge uma certa resignição que talvez o amor não fosse suficiente. Mas esse pensamento só dura um pequeno momento. Ela volta ao luto logo logo. A despedida não foi do jeito que queria, só com palavras. E ela ainda morreu 100 vezes por causa da separação. O clipe consegue ser ainda mais melancólico, com todo aquele climão de um enterro pomposo numa tarde chuvosa.

3- Blind Melon - No rain
Blind melon (1993)



"Ah, eu adoro o clipe da abelinha!" Muita gente gosta, acha bonitinho, uma coisa meio Pequena miss sunshine mais de 10 anos antes. A menina sapateia, chora, é consolada pelos doidões da vida, as cores brilham nos olhos e fica tudo bem, certo? Não. A vida nem sempre é assim, nem sempre tem final feliz. Só quem olho pela janela e se perguntou o motivo de a chuva ainda não ter aparecido é que sabe das coisas. Como pode ser digno alguém que só sorri, certo? No rain é o perfeito contraste entre melodia e letra. Uma te deixa com vontade de deixar, jogar os braços para os lados feito criança, pular, rir. A outra te dá um murro no queixo e te derruba.

4- Gogol Bordello - Alcohol
Super taranta! (2007)



O punk cigano agradece ao álcool por tudo que aconteceu na vida. Chega até a pedir desculpas por aqueles que te dão a fama ruim. "And I'm sorry some of us given you bad name. Yeah o yeah, cause without you nothing is the same." Tem mesmo que dizer mais alguma coisa? Quando ouço, parece que estou num fim de festa, onde o dotadão levou todas as mulheres e só restou a cerveja quente com gosto de mijo.

5- Johnny Cash - Hurt
American IV - the man comes around (2002)



Imagine um viciado dizendo que quer se machucar só para sentir alguma coisa. Agora, pense em Johnny Cash, ele mesmo um viciado, transformando a música do Nine Inch Nails em um petardo para depressivos nunca mais voltarem. Assim é Hurt, magnifíca versão que Cash regravou no melhor disco da série American. Depressiva como alguém que vê a vida acabar da pior maneira possível.


Esse post tava perdido há quase dois meses no sistema do blogspot. Achei que agora seria um bom momento para retomá-lo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Frases soltas na madrugada

- Eu odeio jornalistas, mas gosto de você, disse ela após eu fazer um comentário maldoso sobre uma figurinha carimbada no meio rock. Com doses de vodca e energético na cabeça, não respondi, apenas ri e deixei pra lá. Afinal, eu também tenho meus momentos de ódio com jornalistas.

- Cara, o que você tem de artístico, fora o jornalismo?, outra me perguntou. Poxa, acho que nada. Pra começar, minha profissão não é arte, não é ciência, não é história... Lembrei da música e dos tempos que pegava forte nas baquetas inspirado em Lars Ulrich. Aí duas coisas se seguiram. Pensei quando comentei que pessoas sem talento estudavam administração e... será que usar palavras para machucar é uma arte? Tem horas que eu acho que é.

- Take advantage of the season to take off your overcoat, canta o ex-hermano. É engraçado, Amarante é Amarante até em inglês. Ouço o disco no iTunes enquanto escrevo e, subitamente, o sono vem. Tá certo que as frestas da persiana estão mais claras do que deveriam, mas acho que pelo menos uns minutos com Morfeu eu mereço.

- Não me misturo, eu escrevi. Isso anos depois de "não nos misturamos com cursos inferiores". Aí ouço que ofendi a honra de pessoas só por não pretender fazer a social com pessoas que não têm o mesmos interesses que eu. Saca Rob Flemming? Mas se for importante, para mim ou amigos, estarei lá. Então vejo num blog a definição perfeita: "Senso de humor não é rir ou não de uma coisa. É entender que alguma coisa é uma piada, ela te fazendo rir ou não". Foi nesse momento que lembrei da frase do Zé. - Ela (es) não entendeu (eram).

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Seis coisas aleatórias sobre mim

O Upiara passou o desafio, cretino. Tá lá no blog dele desde 28 de janeiro. E ele ainda teve que chamar minha atenção para a corrente bloguística (blogueira?). Acho que, por conta do novo passatempo, perdi muito do interesse que tinha por blogs. Só uma noite insone mesmo para resolver ler todos os favoritos e tirar a poeira dos cantos do meu espaço. Enquanto a máquina enxágua algumas roupas, vamos lá. O desafio é listar seis coisas aleatórias sobre minha vida. Não sou muito bom nisso, mas pensei em algumas coisas.

1- Quando entrei na escola, aos seis anos, eu chorava o tempo inteiro e ficava na janela esperando meu pai ou minha mãe aparecer. Não por saudade deles ou de casa, mas sim porque queria brincar com meus amigos da rua e não aqueles do colégio;
2- Por algum tempo, tive bateria e costumava tocar por aí. Tive três bandas, cada uma seguindo uma linha de rock. A que mais refletia o tempo em que eu vivia foi a Sickness. Ela durou menos de dois meses no verão de 1996. Para terem uma ideia, tínhamos 11 músicas do Nirvana no repertório. E nossa única música própria parecia tirada de um disco do Silverchair;
3- Hoje eu digo que minha profissão me define. Mas até fazer vestibular eu não sabia o que queria da vida. Na verdade, eu só tive certeza que queria ser jornalista ao entrar na faculdade, com 19 anos. Isso depois de três anos tentando passar no vestibular;
4- Aprecio muito a solidão. E agora, morando em uma casa com alguns confortos, sair para o mundo exterior tá cada vez mais difícil. Para piorar, ainda fecharam a Landscape, o meu Cheers. Quando quero contato, entro no carro, vou ao supermercado ou em qualquer lugar 24 horas que fico satisfeito;
5- Sempre fui torcedor do Avaí, sendo sócio por muitos anos. Mas, desde que saí de Florianópolis, em 2004, fiquei mais fanático. Um amigo diz que isso é uma obsessão. E eu não discordo dele;
6- Saí de Florianópolis por conta da profissão. Fui morar em São Paulo por escolha e logo depois cheguei a Brasília por vias tortas. E, por causa dessas vias tortas, achei a cidade que quero morar para o resto da vida.

Bom, agora tenho que passar isso à frente. Então foram escolhidos Ainá, Ana Clara, Daniel, Felipe, Leandro e Ronaldo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

É bola pra frente, é só coração

"Hahahah, paixão é isso." Foi assim que o Upiara reagiu quando eu disse que tinha acabado de comprar o pay-per-view do campeonato catarinense de 2009 para poder assistir aos jogos do Avaí aqui em Brasília. Como era um pacote, veio junto também o campeonato paulista - mais divertido que os outros estaduais - e a Série A do Brasileirão. Tinha a opção, pelo mesmo preço, de levar a Série B. Poderia secar os broncolenses sem gastar um tostão. Mas, como o próprio Upiara apontou, chega de segunda divisão.

O Pedro diz que isso é uma obsessão. Também, eu mostrei as compras de Florianópolis - mascote, camisa comemorativa e espumante. É paixão e obsessão. E estar a 1,7 mil km de distância só piora as coisas. Pena que rádio na internet tem delay. Caso não, ficaria ligado na CBN Diário enquanto assistia o jogo do Leão. Como lembra o filósofo Jagger, "you can't always get what you want".

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Festa comunista

Na última sexta-feira (9) rolou a Communist party 5. Foi bem legal, com muita gente - superou o público da quarta edição da festa. Apesar da animação de estar em cima do palco comandando as carrapetas, e de estar completamente concentrado nisso, consegui anotar minhas duas sequências. Parece fácil, mas a gente sempre acaba esquecendo porque a mente voa quando comanda as CDJs... Ah, vocês verão um grande número de músicas do Franz Ferdinand. Não é que eu gosto tanto da banda que toco várias na mesma noite. é porque eu fiquei com um especial do FF, enquanto Bode Velho mandou no New Order e o Ronaldo no Weezer. Nada de muitas novidades, basicamente o que rolou no ano 2000 já consolidado.

Primeira sequência:
Kaiser Chiefs - Everyday I love you less and less
Bloc Party - Banquet
Artic Monkeys - Teddy Picker
Franz Ferdinand - This fire
Datarock - Fa-fa-fa
Killers - Mr Brightside
Strokes - Last nite
Franz Ferdinand - Dark of the matinee
Hot Hot Heat - Talk to me, dance with me
Linkin Park' x Britney Spears - Toxic faint (mashup)
Rapture - Whoo alright!
The Pipettes - Your kisses are wasted on me
Amy Winehouse - Rehab
Cansei de Ser Sexy - Superafim

Segunda sequência
Ramones - I wanna be sedated
Backbeat Band - Money
The Stooges - I wanna be your dog
Kings of Leon - Molly's chambers
Strokes - Juicebox
Ting Tings - Great dj
Franz Ferdinand - Do you want to
Franz Ferdinand - Take me out
James Brown x Prince - Sex kiss machine (mashup)
House of Pain - Jump around
The Pipettes - Pull shapes
Franz Ferdinand - Darts of pleasure
Racounters - Steady, as she goes
White Stripes - Seven nation army
Stone Temple Pilots - Big bang baby
She Wants Revenge - Tear you apart

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Retrospectiva

Para meu espanto, meu editor veio esses dias e pediu para eu escrever um artigo sobre o que aconteceu na música em 2008. Achei estranho, afinal trabalho em um site especializado em política. Mas, como o chefão havia pedido para que fizessemos matérias mais diferentes, topei o desafio e mandei pra frente. A idéia era provar o ponto de que 2008 foi um ano muito bom para o rock no Brasil. Acho que consegui.


O ano em que os três tempos se encontraram

Mário Coelho

Passado, presente e futuro se encontraram em 2008. E não precisa desafiar as leis da física para lembrar quem se destacou na música no ano que terminou dias atrás. Do infalível Bob Dylan à menina prodígio Mallu Magalhães, teve de tudo no Brasil. Talvez, quem sabe, nunca na história deste país (soa familiar?) houve tanta oferta de música boa, seja em shows internacionais ou lançamentos brasucas.

Ah, para ser honesto com todos, antes de me alongar, digo que escrevo sobre o bom e velho rock’n’roll, aquele que já teve a morte decretada tantas vezes. Mesmo que Neil Young não canse de cantar por aí que o rock não pode morrer nunca, todo ano é a mesma coisa. Uns pintam a novidade da última semana escrita pelas revistas gringas como a salvação do estilo. E outros teimam em dizer que o senhor cinqüentenário já era.

Nesse espírito, basta lembrar de algumas coisas que aconteceram em 2008 por aqui. O ano passado teve, senão a melhor, uma das melhores seleções de shows internacionais da história. Teve para todos os gostos: Bob Dylan (confira) em uma turnê com ingressos de até R$ 900, o Queen repaginado com Paul Rogers (veja) nos vocais, os veteranos do Iron Maiden lotando estádios pelo país e as novas bandas em evidência no cenário internacional.

Apesar do preço salgado na maioria desses eventos, público não faltou. Seria a confirmação de que o Brasil realmente está ficando melhor? Não vou responder isso, deixo para os cientistas políticos e economistas. Mas uma coisa é certa: a galera que curte rock e suas vertentes não pode reclamar da oferta do ano que se foi.

Peguemos dois exemplos. O primeiro é o já citado Bob Dylan. Não foi a primeira vez que ele veio ao Brasil. Na verdade, já tinha passado por aqui outras duas vezes. Mas quem se importa, não é verdade? Em março, shows lotados por onde ele passou e um público que refletia a influência e relevância de Dylan. Do respeitado senador Eduardo Suplicy (PT-SP) à mais nova revelação da música brasileira, a adolescente Mallu Magalhães, 16 anos.

Do outro lado, veio o Planeta Terra. A segunda edição do festival, em novembro, conseguiu unir o novo, o não tão novo e os mais velhos. Dos ingleses do Jesus and Mary Chain (confira), que começaram a carreira no fim dos anos 1980, aos também ingleses adeptos do rock matemático do Foals, passando por Breeders, Bloc Party e Kaiser Chiefs, teve de tudo um pouco.

Mais exemplos de que o ano realmente foi fértil em matéria de shows? Tivemos Duran Duran e Queen, direto do túnel do tempo, as novidades do TIM Festival (o rapper Kanye West e o punk cigano do Gogol Bordello foram os destaques), o rock inspirado em Joy Division e Echo & The Bunnymen dos nova-iorquinos do Interpol, além dos emos do My Chemical Romance, que arrancaram gritos dos adolescentes Brasil afora.

Não dá para esquecer também a cinqüentona Madonna, que causou frisson ao fazer três shows em São Paulo e dois no Rio de Janeiro em dezembro. Os jornais e as emissoras de TV não cansaram de mostrar os fãs acampados por dias na porta dos locais onde a cantora norte-americana se apresentaria. Isso para conseguir o melhor lugar para assistir ao espetáculo que Madonna mostrou na lucrativa turnê Sticky and sweet.

Outro destaque foram os norte-americanos do REM, que impressionou os fãs em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Na capital paulista, o vocalista e líder da banda, Michael Stipe, foi visto entrando na Funhouse, uma das melhores casas rock da cidade. Muitos que estavam na fila se arrependeram de não terem levado suas câmeras fotográficas ou um celular mais moderno.

Festivais

Boa parte das grandes – ou pequenas – atrações internacionais que vieram ao Brasil passaram por festivais. Dos que integraram as escalações dos já citados TIM e Planeta Terra, ao Muse, que fechou o Porão do Rock em Brasília, e Metric e Go! Team, no Motomix, opções não faltaram.

Aí é possível ver como os produtores cresceram em profissionalismo pelo país. Tiremos aqueles patrocinados pelas grandes marcas. Tivemos, de acordo com levantamento inicial da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), 870 bandas diferentes se apresentando nos 32 festivais associados à entidade.

E sabe o que é mais legal? É que eles estão espalhados pelo Brasil, sem se concentrar no eixo Rio-São Paulo. Do mencionado Porão do Rock na capital dos brasileiros ao celebrado Goiânia Noise, em Goiás, passando pelo Calango, em Cuiabá (MT), e pelo Mada, em Natal (RN), músicos locais puderam trocar experiências com bandas de outros países e mostrar seus trabalhos.

Outro destaque foi o El Mapa de Todos, também em Brasília. O festival teve sua primeira edição em 2005 como Senhor Festival e mudou seu nome e proposta em 2008. Integração entre os países latinos é a palavra chave do El Mapa, realizado com a chancela de Fernando Rosa, o Senhor F em parceria com o Espaço Brasil Telecom. Melhor para o público.

Voz e violão

A cena brasileira teve seu destaque com os parentes do rock. O destaque veio com uma menina de 16 anos, que tomou de assalto a mídia e polarizou a discussão sobre a música no país. Mallu Magalhães colocou suas músicas no My Space, participou de programas na poderosa TV Globo e fez por ela mesma todo o frisson ao lançar seu primeiro disco, homônimo, com a produção de Mario Caldato Jr. (que já produziu Beastie Boys, Planet Hemp e Bebel Gilberto, entre outros).

Mallu tem influências improváveis para uma menina de 16 anos. É fã declarada de Bob Dylan e Johnny Cash. E isso se reflete na sua música, um folk rock que remete a cantoras como Cat Power e Feist – mais à primeira do que à segunda. Além de chamar atenção com suas canções, a garota atraiu as revistas de fofoca ao começar um namoro com o ex-Los Hermanos e hoje em carreira solo Marcelo Camelo, 14 anos mais velho. Ouça Mallu e Camelo cantando juntos (confira).

Camelo, por sinal, cada vez mais investe na imagem de Chico Buarque do século 21. Seu disco solo, “Nós” – ou Sòu, dependendo de como você ler – ganhou os fãs do Los Hermanos e mais outros por aí. Assim como o Little Joy, investida do ex-Hermano Rodrigo Amarante com o mezzo brasileiro mezzo norte-americano Fabrizio Moretti, baterista do The Strokes.

Além disso, a música brasileira viu a consolidação dos matogrossenses do Vanguart e do Macaco Bong, o surgimento do Holger e o multiinstrumentista Curumin estreitando a ponte entre São Paulo-São Francisco-Tóquio com o fantástico disco Japan pop show, uma salada com samba, soul e dub.

Se 2009 seguir o ritmo, ficaremos muito mal acostumados. E o pior – não seria melhor? – é que, mesmo com a crise financeira mundial, parece que o ano que mal começou seguirá na mesma toada. Que venham Radiohead, Kraftwerk e outras tantas coisas boas!

*Mário Coelho, 29 anos, é repórter do Congresso em Foco desde setembro e DJ nas horas vagas. E não consegue viver sem jornalismo e sem música.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Wake up

Sabe esses testes bobos de internet, tipo "qual música do Beatles você é" (eu era Ob-la-di, ob-la-da), que tanto bombaram no início do século? Então, eu adorava, fazia todos que passavam pela minha frente. E, claro, depois colocava o resultado no blog da ocasião. Se não me falha a memória, este é o meu quarto de 2001 para cá, o segundo no blogspot. Tive um na versão brasileira do Blogger e outro no zip.net.

Enfim, esse pequeno nariz de cera só para dizer que eu fiz mais um, não resisti ao saudosismo. O mais engraçado é que ele veio no Facebook. É, eu também estou nessa rede social (assim como no Orkut, no Plurk, no Flickr, no Fotolog, no My Space, no Multiply e até no LastFM). Yeah, I'm a big fat nerd. Voltando ao que interessa, esse teste veio em espanhol, foi a Cris que mandou. E a pergunta era interessante: que tipo de banda indie eu sou?

Respondi as perguntas com seriedade, apesar de não entender muito o espanhol colocado nas perguntas e nas opções. Até que gostei do resultado: eu sou o Arcade Fire! A primeira coisa que eu fiz foi pegar o primeiro disco da banda, Funeral, e colocar para tocar no som. Já é mais de duas da manhã e eu deveria estar dormindo há um tempo, mas o calor brasiliense não deixa.

Nisso, foi inevitável lembrar do TIM Festival de 2005. Até hoje, o melhor festival que eu fui. Aquele ano teve um componente muito especial: duas das minhas bandas prediletas da safra 2000 - Strokes e Kings of Leon, nessa ordem - iam tocar na minha frente. Mas antes de chegar neles, eu tinha que passar por Mundo Livre, MIA e Arcade Fire. Tem um texto sobre o fim de semana em questão no meu antigo blog. É só clicar aqui.

Como sempre, eu estava em São Paulo para assistir o festival. Comigo a trupe de ufsquianos que tomou de assalto o mercado jornalístico paulistano. Todos esperavam o Strokes, tinham uma certa expectativa pelo Kings of Leon e acabava aí. Depois de Mundo Livre e MIA, todos nós fomos surpreendidos por oito loucos no palco, se revezando nos instrumentos e correndo, pulando, subindo, descendo de qualquer lugar disponível.

Eu sou chato para shows. Tenho a tendência de não gostar quando não conheço muito. Ou então não fazer questão de acompanhar. Esse dia foi diferente. Eu conhecia apenas uma música do Arcade Fire, Wake up. Foi com ela que os canadenses abriram a participação no TIM de São Paulo. Lembro bem das impressões que a banda me causou: espanto, assombro, curiosidade, êxtase. É, e isso tudo apenas em uma hora e conhecendo uma única canção...

Claro que quando voltei a Brasília minha primeira providência foi comprar o "Funeral". Mas, por mais que eu tenha boas lembranças desse dia e goste do disco, não me conformo com a descrição que o teste me deu: "Usted es una persona muy vulnerable. Sus estados de ánimo suelen variar desde lo más depresivo a una felicidad incomparable. La muerte le es cercana, pero no le teme. Le gusta el drama, le preocupan los problemas sociales y hay veces en que lo mejor es estar solo. 'Despierta'."

Metade verdade, metade falso. Às vezes eu penso ser feito de gelo de tanto que chamam de blasé. Então não confere o transtorno bipolar (hahaha). Que eu não temo a morte, isso é verdadeiro. Assim como sou até um pouco insensível quando ela acontece por perto. Drama? Não, odeio fazer e presenciar drama, tenho ojeriza momentânea de quem faz. Ah, deixa pra lá.

Tudo isso para dizer que eu lembrei do show fantástico do Arcade Fire em 2005, um dos melhores que eu fui na vida, por causa de um teste besta de internet. Como viaja o pensamento, caramba...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Série A de Avaí

Eu ia escrever alguma coisa sobre o jogo do Avaí de ontem. Sim, sou fanático torcedor do Leão da Ilha de Santa Catarina. Mas, ao ler o Diário Catarinense de hoje, senti-me representado pelo magnífico texto do Sérgio da Costa Ramos. Pela segunda vez, chorei ao lembrar do gol do Evando e de toda a magnífica campanha na Série B do Brasileirão deste ano.

Aqui vai a íntegra:

Especial
Série A é "Coisa Feita", por Sérgio da Costa Ramos

O azul é a mais profunda das cores. Nele, o olhar mergulha sem encontrar qualquer resistência, perdendo-se até o infinito. O azul é o mais natural dos matizes, pois a cor nada mais é do que o reflexo do céu. O azul não é deste mundo. Sugere uma idéia de eternidade tranqüila e altaneira, que é "sobrenatural". O azul é a proximidade com Deus. Ou seja: O Senhor agora está bem representado na Série A.

No pico da Ilha Formosa

O ponto culminante do Brasil não é o Pico da Bandeira, em Roraima. Depois que a bandeira do Avaí foi içada nos altos do Morro da Lagoa da Conceição, ontem à noite, assim que o fuzileiro Evando despachou o Brasiliense, o novo cume de uma montanha brasileira passou a ser o Morro do Padre Doutor, a 450 metros de altura - no entorno do mais conhecido umbigo da Ilha - Avaiana.

Não há artigo mais procurado na praça. A bandeira do Avaí passou a ser um símbolo de vitória muito mais expressivo do que a própria "Stars and Strips Forever", fincada em 1945 num morro da árida ilha de Iwo Jima, ao sul do arquipélago japonês, no momento mais fotografado da Segunda Guerra Mundial.

Não se encontra mais em loja alguma esse véu azul e branco, amuleto da gloriosa epopéia da Batalha da Série A, ontem vencida, crismada e coroada pelos fuzileiros avaianos.

A mais bela conquista dos 85 anos do Avaí começou com uma derrota.

Em seis minutos, uma vitória por 2 a 1, que daria ao clube o título do primeiro turno do Estadual de 2008, transformou-se numa constrangedora derrota por 3 a 2, consumada pela Chapecoense, nesta mesma Ressacada que ontem se cobriu de glórias.

O primeiro sinal de que o ano seria diferente veio da torre de comando. O general João Nilson Zunino e seu Estado Maior, inconformados, saíram a campo em busca do comandante ideal - um homem que devolvesse o "panache" ao esquadrão de Adolfinho, Saul e Nizeta.O escolhido foi Silas Pereira e o eleito foi o Avaí. O ex-craque do São Paulo e da Seleção Brasileira entrou em campo para iluminar o caminho rumo à Série A - com poucas, porém certeiras contratações. E o estandarte azurra nunca mais conheceu o pó da derrota, pelo menos nas terras santas da Ressacada.

Ao final do segundo turno do Catarinense, o Avaí já era o melhor time de Santa Catarina e um dos melhores do sul do Brasil. Circunstância ignorada apenas pelos "encantadores" de arbitragens, Napoleões da esperteza que, cedo ou tarde, conheceriam o seu Waterloo.

Invicto, o Avaí foi "retirado" do campeonato, depois da sonegação de três pênaltis numa só partida. Pensando mais alto, sequer registrou o B.O. do furto qualificado.Jours de GloireNuvens mais altaneiras o esperavam. Uma campanha invicta até a nona rodada da Série B, revelava, ao cabo do primeiro turno, um competidor de elevado poder de fogo, a segunda força do campeonato, comparável apenas ao multimilionário projeto do Corinthians paulista.

Bem no meio da disputa, os obuses do inimigo abriram uma clareira nas formações azurras. Os inimigos comemoraram as "baixas".

O "mercado" e as chuteiras dos adversários desfizeram a dupla de ataque que disparava as granadas, em direção ao topo. Vandinho foi parar no Flamengo e Abuda na enfermaria.

Foi quando luziu a inspiração do Estado Maior azul. Uma nova dupla foi formada, com o poder de fogo de um general Patton, aliado ao general Zukov. Evando e William chegaram para restabelecer a pontaria, a partir da 17ª rodada. Então, "coisas inéditas", coisas que só o Avaí sabe fazer, começaram a se desatar no palco quase sempre encharcado da Ressacada. Com Eduardo Martini, Marquinhos, Evando & Cia, entraram em campo o Senhor dos Passos e Cruz e Sousa - avaianos de longa data, aliás, avaianos de "sempre".

O negro simbolista trouxe o "Vento Sul" - veterano artilheiro azurra - para tabelar com Evando e até com o goleiro Martini - autor de um gol eólico no jogo contra o Paraná, abertura do returno.

Era apenas a primeira de uma coleção de mágicas: elas foram inauguradas com o gol de bicicleta contra o Corinthians e o "lençol anfíbio" contra o Bahia - obras de Evando e Marquinhos. Mais o passe "Fui-Mas-Não-Fui", contra o Marília, abracadabra com a qual Evando colocou William na chamada "cara do gol".

Glória com chuva

Houve um momento que, aos adversários, juntou-se o mau tempo - e o Avaí teve que justificar o seu berço de luta. De haver nascido com o nome de uma batalha "dentro dágua". Contra o Paraná, Fortaleza, Bahia, Criciúma e Marília, o campo se transformou num brejo e o time foi obrigado a jogar pólo-submarino: venceu todas as partidas, com a garra e a mística do "Faz-Coisa".

Quando os próprios avaianos não sabem explicar as razões de sua glória, dentre tantas as que foram consagradas ao azurra, apelam para o velho misticismo de que "esse Avaí faz coisa".

Viver o sonho da Série A é um prematuro presente de Natal para avaianos "galáticos", como Saulzinho, Nizeta e Tullo Cavalazzi, irmão de outro inesquecível Cavalazzi, o endiabrado "Bitanha".

É uma homenagem a Zenon e sua refinada técnica. É uma lembrança do estilista Veneza, maior zagueiro que já vi jogar. É um cumprimento aos bravos Toninho e Juti, e, mais recentemente, um aceno ao craque Adilson Heleno.

É um agradecimento a Guga Kuerten, craque de outra bolinha, que, coroado Rei de Roland Garros, declarou à imprensa universal, olhos injetados de puro amor ao azul:

- Sou Avaí e o meu ídolo é o Jacaré!

Perfilou-se, então, para ouvir em pleno Bois-de-Bologne a "Marselhesa" dos hinos de clubes brasileiros - sim, em francês! Obra dos avaianos Fernando Bastos e Luiz Henrique Rosa, versão inspirada de José Bastos, em seu momento "Charles Aznavour":

À lîle charmante/Pleine de Grace/Léquipe pugnace/Ce peuple ces gens,/Emotion enrichie/Il n y a qun coeur /De mon Avai...
Avai, mon Avai
À lÎle tu es le Lion
Avai, mon Avai
Tu es déjà né champion...

É impossível contabilizar méritos neste momento de consagração. Mas há gerações de figuras alpinas neste Avaí guindado à Série A, depois de 85 anos. Há velhos Himalaias, como Amadeu Horn e Arnaldo Pinto de Oliveira, fundadores. Há Everests como Aderbal Ramos da Silva, Saul Oliveira, José Amorim e João Salum. Há a generosa entrega cardiovascular do sangue azul que habita as artérias dos irmãos Bastos, José e Fernando - a este creditado, sobretudo, a Marselhesa que enaltece o "Leão da Ilha Formosa". Há a devoção e a entrega de Flávio Félix, Campeão Brasileiro da Série C - um homem de estrela.

E há este incansável herói do presente, o presidente João Nilson Zunino, que contra todos os incréus, acaba de levar o Avaí à sua maior conquista e aos seus "jours de gloire": o acesso à Série A do futebol brasileiro.Recuso-me a continuar escrevendo. Vou me incorporar à próxima carreata - foguete no ar, bandeira na mão, o Avaí no coração.