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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ano novo, músicas velhas

Não sou muito de celebrar datas. Aniversário, natal, ano novo, páscoa, tudo fez mais sentido para mim quando era criança. Hoje, não faço muita questão, para falar a verdade. Mas entendo que muita gente tenha interesse especial nelas. Promessas, confraternizações, estados de alegria momentânea... tudo faz parte. Desde que saí de Florianópolis, tenho a mesma rotina de fim de ano: natal é com a família na capital catarinense e a virada com os amigos no planalto central.

Mais uma vez, o ritual foi cumprido no reveillon de 2011/12. Festinha classe A na casa de um camarada, bondoso e paciente o suficiente para receber uma pá de gente na sua casa. Uma galera tocando o melhor (e o pior) do rock e do pop de todos os tempos. Foi bem divertido. Claro que tudo fica melhor quando os amigos estão por perto; com música boa e minhas águas com gás (fuck yeah, desde julho sem beber e de novembro sem fumar) então, totalmente excelente.

Para não perder o hábito, anotei as duas sequências que eu fiz. Na primeira, tive a ajuda do camarada Bruno. Já a segunda foi dividida com o mestre Bode Velho. Ah, antes que eu esqueça. Definitivamente nesta festa eu recebi o pedido mais bizarro de todos os tempos como DJ. "Toca algo Jovem Pan", pede um rapaz. Como assim, o que isso significa? Ele não soube explicar. E eu fiquei sem entender...

Primeira sequência:
1- Mark Ronson ft. Amy Winehouse - Valerie
2- The Cure - Walk
3- Franz Ferdinand - No you girls
4- Blur - Boys and girls
5- Phoenix - Consolation prizes
6- Justice - We are friends
7- Gossip - Love long distance
8- Yeah Yeah Yeahs - Heads will roll
9- Madonna - Hung up
10- Katy Perry - I kissed a girl
11- Cee Lo Green - Fuck you
12- Ting Tings - Great dj
13- Peter Bjorn & John - Young folks
14- The Smiths - The boy with the thorn in his side
15- Backbeat Band - Mr. Postman
16- Queen - Under pressure
17- Kaiser Chiefs - I heard it though the grapevine

Segunda sequência (em negrito as que eu toquei):
1- T-Rex - Get it on
2- New Order - Blue monday
3- Soup Dragons - I'm free
4- The Cure - Boys don't cry
5- Dead Kennedys - Viva Las Vegas
6- System of a Down - Chop suey
7- Nine Inch Nails - Closer
8- Siouxsie and the Banshees - The passenger
9- Electric Six - Radio gaga
10- The Cure - A night like this
11- Journey - Don't stop believing

sábado, 30 de outubro de 2010

It's the end of Landscape as we know it...

... and I don't feel fine.

Michael Stipe que me perdoe, mas não tinha como não me apropriar de um dos clássicos do REM para começar esse texto. Talvez nem todos saibam. No entanto, quem acompanha a cena alternativa/rock de Brasília não poderá dizer que se sentiu surpreso. O Landscape Pub, o inferninho mais legal de Brasília, vai fechar. Cansados de trabalhar na noite, os donos Fágner e Pedro decidiram largar tudo e buscar novos rumos.

Uma pena, já que Brasília pode ficar órfã de um lugar massa no estilo para festas rock legais. O Landscape tinha sua cara, seu público. Sempre considerei como minha segunda casa. Foi lá que comecei a dar som por aqui, não muito depois de me mudar para a capital do país. Foi lá que o primeiro dono, o grande Bosco, cunhou meu "nome de guerra". O que antes era um apelido dado por um colega de faculdade (Marinácio), virou uma alcunha imponente (Super Mario Bros).

Foi na Landscape que toquei em várias festas legais. E também em algumas roubadas... Mesmo assim, sempre me diverti muito por lá, estivesse tocando ou não. Foram Fágner e Pedro que resolveram apostar na Pulp. E fizemos seis edições lá, todas sensacionais. Afe, como esquecer a especial de carnaval? Junto com a edição de aniversário, a minha favorita. Uma pena que não poderemos nos despedir propriamente. Este é o último fim de semana da casa.

Na esperança de manter a chama das festas alternativas de rock acesa, os chapas Fágner e Pedro colocaram a casa à venda. É só bater um papo, os caras são gente boa. O contato é landscapepub@hotmail.com. Para eles e para quem tiver como comprar o Landscape, for those about to rock, we salute you!

Texto publicado originalmente no blog da Pulp.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Mais sequências

Oi, tudo bem? É, sei que ando um pouco distante deste espaço aqui. Mas é por uma causa justa. A cobertura do panetonegate não tem deixado um tempinho sequer livre pra mim. Mas, nesse meio tempo, deu para tocar em umas festinhas, descansar alguns fins de semana e aproveitar um pouco da vida aí fora. Como tradicional neste blog, aqui vão duas sequências que toquei em festinhas recentes, ambas na Landscape. Aqui vão elas:

Rock converse - 14/01

1- Ting Tings - Shut up and let me go
2- Black Kids - Look at me (when I rock wichoo)
3- CSS - Move
4- Katy Perry - I kissed a girl
5- Mika - Grace Kelly
6- Britney Spears - Toxic
7- Justin Timberlake - Sexyback
8- Madonna - Hung up
9- Ramones x M.I.A. - Sri Lanka high (mash up)
10- The Rapture - Houe of jeaulous lovers
11- Peter, Bjorn and John - Young folks
12- Cake - I will survive
13- Franz Ferdinand - Ulysses
14- Vampire Weekend - A-punk
15- The Dandy Warhols - Bohemien like you
16- Yeah Yeah Yeahs - Date with the night

Pulp Volume IV - 14/02 (especial one hit wonder)

1- Los Hermanos - Quem sabe
2- A-Ha - Take on me *
3- Dee Lite - Groove is in the heart *
4- Breeders - Cannonball *
5- Cake - I will survive
6- House of Pain - Jump around *
7- Elastica - Connection *
8- Billy Idol - Dancing with myself
9- Violent Femmes - Blisters in the sun *
10- The Trashmen - Surfin' bird *
11- Ramones - I wanna be sedated
12- Michael Jackson - Thriller
13- Soft Cell - Tainted love *
14- Bill Medley - (I've had) the time of my life *
15- George Michael - Freedom
16- She Wants Revenge - Tear you apart
17- Hot Chip - Ready to the floor
18- MGMT - Kids
19- Ting Tings - Great dj
20- Lady Gaga - Bad romance
21- Katy Perry - I kissed a girl
22- Britney Spears - Toxic
23- Ben Folds - The bitch went nuts
24- Electric Six - Radio gaga

As músicas com * foram consideradas, em algum momento, one hit wonder. Por isso que elas entraram nessa sequência.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sequência

Sábado teve festinha para comemorar o aniversário de um brother e mais quatro amigos dele. Público bem diferente daquele que eu costumo tocar. Landscape é meio jogo ganho né, a gente já sabe o que dá certo e o que dá errado na maioria das vezes. Nesse convescote, Bode Velho e Leandro Galvão me antecederam nas pick-ups. Cada um no seu metier, acabou comigo a missão de agradar o público feminino presente à festa. Como se isso fosse um grande sacrifício... Deixei claro que não tocaria funk nem axé, mas que rolariam algumas baixarias. Olhando os dois sets, de 45 minutos cada, acho que dava até para rolar uma Landscape. A primeira ficou bem mais pop, rolou até Britney e Justin Timberlake. A segunda, já no fim da festa, foi bem rock clássico, com três exceções no meio.

1ª sequência:
Katy Perry - Hot 'n cold
Elvis x JXL - A little less conversation
James Brown x Prince - Sex kiss machine
Madonna - Hung up
Michael Jackson - Thriller
Amy Winehouse - Rehab
Britney Spears - Toxic
Justin Timberlake - Sexyback
Cake - I will survive
Killers - Mr. Brightside
MGMT - Kids
The Ting Tings - Great dj

2ª sequência
Johnny Cash - Folsom prison blues (live)
Beach Boys - Wouldn't it be nice
Beatles - Yellow submarine
Rolling Stones - Satisfaction
Jackson 5 - I want you back
Teenage Fanclub - Like a virgin
Michael Jackson - Billie Jean
The Wonders - That thing you do
Kiss - Rock'n roll all nite
AC/DC - Jailbreak
Creedance Clearwater Revival - Fortunate son
Bill Medley - (I've had) The time of my life

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Rob Flemming/Gordon

Depois de um bom tempo, voltei a ter ideias para atualizar o blog. É engraçado, mas parece que a gente é movido por razões obscuras. Desta vez, um fim de semana ilhado em casa, sem poder sair por conta de uma gripe que seria pior caso não ficasse de quarentena. Aí, na madruagada de domingo, enquanto tomava banho, comecei a matutar sobre um novo top 5, um que serviria para tirar as teias de aranha impregnadas por aqui e que aliasse minhas duas grandes paixões artísticas: cinema e música. O desafio era fugir do senso comum, mas sem deixar de lado todas as coisas que eu gosto. Acabei formulando cinco melhores cenas embaladas por música. O nome é grande, eu sei. Só que é simples... são aquelas cenas que sem a música não funcionariam. Neste quesito, ninguém bate Tarantino. Como sempre, farei em ordem alfabética, pelo nome do filme.

1- Curtindo a vida adoidado (Ferris Bueller's day off, 1986)
Beatles - Twist and shout



A cena, pra mim, é a mais determinante no filme, a que faz valer o título em português. Lá está Ferris Bueller, o rapaz que inventou a maior artimanha para matar um dia de aula com a namorada e o melhor amigo, em cima de um carro alegórico na parada do German American Appreciation Day. Não dá para esquecer o pai dele dançando no escritório, a turma fazendo a coerografia de Thriller, do Michael Jackson... Enfim, a cena simboliza toda a festa daquele dia em que Ferris decidiu matar aula! Foi por causa do filme que eu comecei a gostar de Beatles, que eu fazia minha irmã ligar para a rádio Atlântida, lá em Florianópolis, pedindo que tocassem Twist and shout, música que Ferris canta em cima do carro. Apesar de ouvi-la repetidamente por anos e anos e anos, até hoje não enjoei. Já tive várias fases da banda, mas taí uma canção que eu não deixo de lado. Ah, pra mim, Curtindo a vida adoidado é um dos melhores filmes de adolescentes de todos os tempos (hum, mais uma ideia para um top 5).

2- Matrix (The Matrix, 1999)
Rage Against The Machine - Wake up



Sim, eu sou fã incondicional do que o Bode Velho afirma ser o filme mais superestimado de todos os tempos. Eu gosto de todas as coisas envolvendo Matrix, da pseudo filosofia aos efeitos especiais então revolucionários (olha o bullet time aí). O casamento aqui é diferente. A música funciona como uma extensão da última cena. Lá está Neo numa ligação, dizendo que vai fazer de tudo para acabar com a Matrix. Quando ele sai da cabine telefônica, os primeiros acordes furiosos de Wake up estouram os ouvidos mais incautos. A música tem o mesmo objetivo que Neo. Quer que as pessoas acordem, que elas tenham mais consciência no dia a dia. Final perfeito para um dos melhores filmes dos anos 1990.

3- À prova de morte (Death proof, 2007)
The Coasters - Down in Mexico



Nenhum cineasta contemporâneo tem a mesma capacidade que Quentin Tarantino para encontrar pérolas esquecidas da música no mundo, colocar em seus filmes e transformar as trilhas sonoras em objetos cult. Ou até mesmo reviver e colocar no mainstream gente que nunca esteve lá, como Dick Dale após Pulp fiction. Tarantino já disse que um dos seus passatempos é ficar mexendo na sua coleção de vinis, procurando canções que entrem nas suas fitas. Além de ele conseguir fazer essas descobertas, ainda tem o grande mérito de trabalha-las como parte fundamental no roteiro. É aqui que se encaixa a música do The Coasters. Sinceramente, nunca tinha ouvido falar deles até assistir a magnífica cena da lap dance de Vanessa Ferlito. Tudo se encaixa muito bem. A dança, as reações de Kurt Russell, os olhares dos espectadores no bar, a ideia que isso só poderia acontecer em um filme B... Só Tarantino poderia inventar uma cena desse tipo, sensual e engraçada ao mesmo tempo.

4- Pulp fiction - tempo de violência (Pulp fiction, 1994)
Chuck Berry - You never can tell



Taí a cena que entrou para o imaginário pop nos anos 1990. A coreografia que até hoje as pessoas repetem quando ouvem Misrilou, do Dick Dale, nas festinhas rock'n roll espalhadas pelo país. A direção que fez John Travolta dançar novamente após quase 15 anos - algo que não era a disco music dos anos 1970, por sinal. Segundo filme diriido por Tarantino, ele colocou a barra lá em cima, fazendo os fãs esperarem que em todos os filmes dele existam cenas que a música seja essencial. Sem Mia Wallace e Vincent Vega participando do concurso do Jack Rabbitt, não existiria a lap dance de À prova de morte. Além disso, muito gente por essas bandas não conheceria gente como Dick Dale, Dusty Springfield e outras pérolas presentes na trilha de Pulp fiction.

5- Watchmen (Watchmen, 2009)
Bob Dylan - The times they are a-changing



Eu poderia abrir uma exceção e colocar a sequencia inicial de créditos de Watchmen em primeiro lugar, largar um pouco a ordem alfabética... Afinal de contas, Zack Snyder ampliou o que já tinha feito em Madrugada dos mortos e chegou a cinco minutos de pura perfeição. Tudo se encaixa. Nesse pequeno tempo, ele consegue contar a história dos primeiros Minutemen, dizer como eles acabaram, fazer ligações para o futuro e contar trechos da biografia de um dos herois nesse curto espaço de tempo. Sem esquecer na música de fundo, que, além de casar perfeitamente com o que filme quer dizer, está lá nas páginas do quadrinho. The times they are a-changing é uma das minhas músicas prediletas de Bob Dylan. Ao ver a cena, fiquei arrepiado. Por mais que Watchmen seja elogiado - pra mim é um filme nota 8 -, repleto de cenas interessantes e muito bem feitas, aponto a sequencia inicial de créditos como a melhor de todas. De novo, tudo se encaixa.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Retrospectiva

Para meu espanto, meu editor veio esses dias e pediu para eu escrever um artigo sobre o que aconteceu na música em 2008. Achei estranho, afinal trabalho em um site especializado em política. Mas, como o chefão havia pedido para que fizessemos matérias mais diferentes, topei o desafio e mandei pra frente. A idéia era provar o ponto de que 2008 foi um ano muito bom para o rock no Brasil. Acho que consegui.


O ano em que os três tempos se encontraram

Mário Coelho

Passado, presente e futuro se encontraram em 2008. E não precisa desafiar as leis da física para lembrar quem se destacou na música no ano que terminou dias atrás. Do infalível Bob Dylan à menina prodígio Mallu Magalhães, teve de tudo no Brasil. Talvez, quem sabe, nunca na história deste país (soa familiar?) houve tanta oferta de música boa, seja em shows internacionais ou lançamentos brasucas.

Ah, para ser honesto com todos, antes de me alongar, digo que escrevo sobre o bom e velho rock’n’roll, aquele que já teve a morte decretada tantas vezes. Mesmo que Neil Young não canse de cantar por aí que o rock não pode morrer nunca, todo ano é a mesma coisa. Uns pintam a novidade da última semana escrita pelas revistas gringas como a salvação do estilo. E outros teimam em dizer que o senhor cinqüentenário já era.

Nesse espírito, basta lembrar de algumas coisas que aconteceram em 2008 por aqui. O ano passado teve, senão a melhor, uma das melhores seleções de shows internacionais da história. Teve para todos os gostos: Bob Dylan (confira) em uma turnê com ingressos de até R$ 900, o Queen repaginado com Paul Rogers (veja) nos vocais, os veteranos do Iron Maiden lotando estádios pelo país e as novas bandas em evidência no cenário internacional.

Apesar do preço salgado na maioria desses eventos, público não faltou. Seria a confirmação de que o Brasil realmente está ficando melhor? Não vou responder isso, deixo para os cientistas políticos e economistas. Mas uma coisa é certa: a galera que curte rock e suas vertentes não pode reclamar da oferta do ano que se foi.

Peguemos dois exemplos. O primeiro é o já citado Bob Dylan. Não foi a primeira vez que ele veio ao Brasil. Na verdade, já tinha passado por aqui outras duas vezes. Mas quem se importa, não é verdade? Em março, shows lotados por onde ele passou e um público que refletia a influência e relevância de Dylan. Do respeitado senador Eduardo Suplicy (PT-SP) à mais nova revelação da música brasileira, a adolescente Mallu Magalhães, 16 anos.

Do outro lado, veio o Planeta Terra. A segunda edição do festival, em novembro, conseguiu unir o novo, o não tão novo e os mais velhos. Dos ingleses do Jesus and Mary Chain (confira), que começaram a carreira no fim dos anos 1980, aos também ingleses adeptos do rock matemático do Foals, passando por Breeders, Bloc Party e Kaiser Chiefs, teve de tudo um pouco.

Mais exemplos de que o ano realmente foi fértil em matéria de shows? Tivemos Duran Duran e Queen, direto do túnel do tempo, as novidades do TIM Festival (o rapper Kanye West e o punk cigano do Gogol Bordello foram os destaques), o rock inspirado em Joy Division e Echo & The Bunnymen dos nova-iorquinos do Interpol, além dos emos do My Chemical Romance, que arrancaram gritos dos adolescentes Brasil afora.

Não dá para esquecer também a cinqüentona Madonna, que causou frisson ao fazer três shows em São Paulo e dois no Rio de Janeiro em dezembro. Os jornais e as emissoras de TV não cansaram de mostrar os fãs acampados por dias na porta dos locais onde a cantora norte-americana se apresentaria. Isso para conseguir o melhor lugar para assistir ao espetáculo que Madonna mostrou na lucrativa turnê Sticky and sweet.

Outro destaque foram os norte-americanos do REM, que impressionou os fãs em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Na capital paulista, o vocalista e líder da banda, Michael Stipe, foi visto entrando na Funhouse, uma das melhores casas rock da cidade. Muitos que estavam na fila se arrependeram de não terem levado suas câmeras fotográficas ou um celular mais moderno.

Festivais

Boa parte das grandes – ou pequenas – atrações internacionais que vieram ao Brasil passaram por festivais. Dos que integraram as escalações dos já citados TIM e Planeta Terra, ao Muse, que fechou o Porão do Rock em Brasília, e Metric e Go! Team, no Motomix, opções não faltaram.

Aí é possível ver como os produtores cresceram em profissionalismo pelo país. Tiremos aqueles patrocinados pelas grandes marcas. Tivemos, de acordo com levantamento inicial da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), 870 bandas diferentes se apresentando nos 32 festivais associados à entidade.

E sabe o que é mais legal? É que eles estão espalhados pelo Brasil, sem se concentrar no eixo Rio-São Paulo. Do mencionado Porão do Rock na capital dos brasileiros ao celebrado Goiânia Noise, em Goiás, passando pelo Calango, em Cuiabá (MT), e pelo Mada, em Natal (RN), músicos locais puderam trocar experiências com bandas de outros países e mostrar seus trabalhos.

Outro destaque foi o El Mapa de Todos, também em Brasília. O festival teve sua primeira edição em 2005 como Senhor Festival e mudou seu nome e proposta em 2008. Integração entre os países latinos é a palavra chave do El Mapa, realizado com a chancela de Fernando Rosa, o Senhor F em parceria com o Espaço Brasil Telecom. Melhor para o público.

Voz e violão

A cena brasileira teve seu destaque com os parentes do rock. O destaque veio com uma menina de 16 anos, que tomou de assalto a mídia e polarizou a discussão sobre a música no país. Mallu Magalhães colocou suas músicas no My Space, participou de programas na poderosa TV Globo e fez por ela mesma todo o frisson ao lançar seu primeiro disco, homônimo, com a produção de Mario Caldato Jr. (que já produziu Beastie Boys, Planet Hemp e Bebel Gilberto, entre outros).

Mallu tem influências improváveis para uma menina de 16 anos. É fã declarada de Bob Dylan e Johnny Cash. E isso se reflete na sua música, um folk rock que remete a cantoras como Cat Power e Feist – mais à primeira do que à segunda. Além de chamar atenção com suas canções, a garota atraiu as revistas de fofoca ao começar um namoro com o ex-Los Hermanos e hoje em carreira solo Marcelo Camelo, 14 anos mais velho. Ouça Mallu e Camelo cantando juntos (confira).

Camelo, por sinal, cada vez mais investe na imagem de Chico Buarque do século 21. Seu disco solo, “Nós” – ou Sòu, dependendo de como você ler – ganhou os fãs do Los Hermanos e mais outros por aí. Assim como o Little Joy, investida do ex-Hermano Rodrigo Amarante com o mezzo brasileiro mezzo norte-americano Fabrizio Moretti, baterista do The Strokes.

Além disso, a música brasileira viu a consolidação dos matogrossenses do Vanguart e do Macaco Bong, o surgimento do Holger e o multiinstrumentista Curumin estreitando a ponte entre São Paulo-São Francisco-Tóquio com o fantástico disco Japan pop show, uma salada com samba, soul e dub.

Se 2009 seguir o ritmo, ficaremos muito mal acostumados. E o pior – não seria melhor? – é que, mesmo com a crise financeira mundial, parece que o ano que mal começou seguirá na mesma toada. Que venham Radiohead, Kraftwerk e outras tantas coisas boas!

*Mário Coelho, 29 anos, é repórter do Congresso em Foco desde setembro e DJ nas horas vagas. E não consegue viver sem jornalismo e sem música.

domingo, 28 de setembro de 2008

Roubada


Na sexta-feira, toquei em uma festinha na casa de um amigo no Lago Sul. A idéia da festa, até onde sei, foi de outro brother. Quatro DJs rock'n roll, nada poderia dar errado. Ou não. Ninguém contava com a chuva e com o público do convescote. O agüaceiro de momentos antes da balada tirou a vontade de muita gente de sair. E, os que foram, parece que não gostavam de rock. Eu ouvi até um "toca Asa", a popular banda de axé Asa de Águia. Ouvi também "ah, eu deveria ter ido para o pagode, essa música não dá para dançar". Bom, dane-se. Valeu pelo convite, toquei minha seqüência para a galera que curte rock e coloquei o papo em dia com alguns amigos. No caminho, indo embora - não era nem 2h30 - mudei de idéia e me mandei para a Landscape, mesmo estando de plantão, para ver Ed, Zeca e Montana tocarem.

Ah, minha seqüência foi essa aqui:

1- Killers - Somebody told me
2- Kaiser Chiefs - Everyday I love you less and less
3- Metric - Dead disco
4- Rapture - Whoo alright!
5- Bloc Party - Banquet
6- Kings of Leon - Molly's chambers
7- Strokes - Last nite
8- Vampire Weekend - A-punk
9- Talking Heads - Psycho killer
10- Supergrass - Alright
11- Backbeat Band - Please mr. postman
12- Blur - Song 2
13- Peter Bjorn & John - Young folks
14- Franz Ferdinand - Fire
15- The Rakes - 22 grand job
16- Red Hot Chili Peppers - Suck my kiss
17- Silversun Pickups - Well thought out twinkles

Obs.: eu sei que o Leandro vai me chamar de estrelinha, hehe. Mas enfim, acontece. Tens crédito velho - especialmente depois da Pool party -, é só chamar que tô lá com a mochila cheia de discos. Só não mais na QI 23, 7, 7, ok?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Aniversário







Conto com todos lá! Música boa é que não vai faltar!






segunda-feira, 16 de junho de 2008

Panis et circenses

Neil Young canta que o rock'n roll não pode morrer nunca. Ele parece ser a exceção, já que outros artistas que transitam pelo gênero - como Marilyn Manson e Lenny Kravitz, para citar exemplos recentes -, dizem que o rock já era. Por mais que eu seja um fã de música, duas festas que fui no fim de semana me levaram à seguinte conclusão: o público médio não quer qualidade. Aprontam-se no melhor estilo, mas, na hora de dançar, vale qualquer coisa.

Sexta-feira, Espaço Galleria, um antigo puteiro transformado em boate, voltada mais para o público gay. Vou lá conferir a festa com uma amiga. Lugar lotado, fila até sei lá que horas da madrugada. Mais ou menos 90% dos que estão lá são homens, a grande maioria gays. Tem alguns heteros procurando mulheres descoladas e liberais por lá. Afinal, é notório: os gays sabem melhor do que ninguém como fazer festas. Entre os leilões - parecia que eu estava assistindo o Canal Rural -, muita música ruim. Ruim mesmo, de É o Tchan a Rouge, passando por Mamonas Assassinas e outras porcarias.

No dia seguinte, fui para minha segunda casa. Chegando a Landscape, o Bosco, dono do lugar mais legal de Brasília, me recepciona com a alegria de sempre. E solta um "pô Marão, tavas sumido, tem tempo que não apareces". É, devia fazer uma semana que eu não ia lá... Enfim, festinha anos 80, comandada por um chapa. Os momentos mais cheios da pista eram justamente aqueles da parte ruim da década perdida. Quando tocava a parte boa, dava uma esvaziada legal. Talvez por isso que a qualidade tenha ficado entre o começo da festa, quando tinham poucas pessoas por lá, e o final.

Pelo que vi nas duas festas, o público não quer rock de qualidade. As festas que enchem aqui em Brasília ou são para uma galera fashionista ou então para quem não tem gosto. Aí só me faz crer que o estilo realmente está morrendo. Nem as festas do Cult 22, dos heróicos Marcos Pinheiro e Abelardo, enche como anos atrás. Olha que eu nem sou radical. Gosto de investir em mashups quando comando as carrepetas, e tocar umas coisinhas diferentes de tempos em tempos. Sem exageros. Apesar do Ronaldo e do Thiago reclamarem de vez em quando.

Ah, eu me diverti à valer nas duas festas, mesmo sem ter sintonia com o que tocava. Na primeira por conta das situações hilárias que presenciei - o leilão foi uma delas -, e na segunda por estar com meus amigos. Mas bastou uma vez, não vai rolar repeteco em nenhuma das duas. E por conta de um fator bem básico: eu preciso do old fashioned rock'n roll na veia. Se a música está boa, o resto não importa. Nessas horas é que dá uma saudade incrível de São Paulo e suas várias opções. E um alívio por não morar mais em Florianópolis e os covers de Creedance.