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sábado, 23 de julho de 2011

You know that I'm no good

Lembro bem do dia que conheci Amy Winehouse. Já tinha lido sobre ela, colegas recomendavam. Até que entrei na FNAC e coloquei "Back to black" para ouvir. A ideia era dar o disco de presente para uma (hoje) amiga, já que a inglesa era costumeiramente comparada a Nina Simone. Ao ouvir Rehab pela primeira vez, experimentei algo que não sentia há tempos. Surpresa e deslumbramento misturados que imediatamente resultaram em um sorriso no rosto e a certeza que estava ouvindo um disco que entraria para a história da música.

Quatro anos depois, estou vendo televisão quando vem a notícia que Amy morreu. Que triste! Não me sentia assim desde que Kurt Cobain morreu. E aí comecei a pensar que a história de ambos é mais parecida do que podemos supor. Além da tal coincidência de fazerem parte do Clube dos 27 - junto com Jim Morrison, Janis Joplin e Jimi Hendrix, entre outros - os dois eram pessoas extremamente apaixonadas pela música, donos de talentos extraordinários. Ficaram conhecidos mundialmente após o lançamento de seus segundos discos. Kurt e o Nirvana com "Nevermind", Amy com o já citado "Back to black".

Não é só isso. Parece que ambos tinham extrema dificuldade em lidar com tudo que vinha a reboque da fama alcançada por seus trabalhos. Kurt repetidamente dizia que não queria nada daquilo. Depois do lançamento de "In utero", último disco de estúdio do Nirvana, ele já dava sinais que queria sair da banda, fazer outras coisas. Não estava interessado em excursionar pelo mundo (talvez nunca esteve), em gravar mais com os colegas Krist Novoselic e Dave Grohl, em tocar Smells like teen spirit e por aí vai. Durante a curta carreira da banda - cinco anos -, entrou e saiu de clínicas de habilitação por conta do vício em heroína, teve uma overdose em Roma e acabou dando um tiro de espingarda na cabeça em abril de 1994.

Mais do que Kurt, Amy agonizou em praça pública por um bom tempo. Suas brigas com o (ex) marido Blake, as entradas e saídas do rehab, as quedas no palco, o esquecimento de letras durante os shows. Fez a fama de muitos papparazzi por conta de seus excessos em público. E também começou a atrair a atenção mórbida de muita gente. No show que ela fez em São Paulo em janeiro, muitos vibravam cada vez que ela esquecia parte de uma letra, torciam para que ela caísse. Saíram frustrados... Não foi um grande show, talvez nem bom. Mas, de qualquer maneira, foi possível presenciar ao vivo um daqueles talentos que aparecem bem de vez em quando.

Vi muita gente dizendo que Amy morreu por conta das drogas. Teve até comparação com Keith Richards, notório doidão que até hoje está aí cheirando todas. São coisas diferentes. Acho que para a cantora as drogas foram o caminho, o meio, para fugir de um mundo onde ela não conseguia se adaptar. Nunca foi aquela coisa de "vamos curtir, vamos cheirar todas" e ficar viciada até não ter mais como viver sem beber até cair, sem cheirar até o fim. Se não fosse desta maneira, ela encontraria outra até sair desta vida para sempre.



"I wish I could say no regrets
And no emotional debts
'Cause as we kissed goodbye the sun sets
So we are history
The shadow covers me
The sky above a blaze
That only lovers see"

Tchau, Amy.

segunda-feira, 9 de março de 2009

É com você, Rob Flemming

Ainda há pouco estava na fila do drive thru do Mc Donald's, depois de uma noite cheia de nãos e com nenhum sim. O vento passava forte, anunciando a chuva de quase todo santo dia nessa época do ano no planalto central. Realmente demorou para poder fazer meu pedido. Sem nada para fazer além de esperar, viajei longe e longe. Lembrei do vento suli de Florianópolis, e como gosto do frio que faz por lá. Não sei como recordei da cobrança para fazer mais top 5 por aqui. Não apareciam há um tempo no blog desde um que surgiu no Plurk. O motivo era simples: falta de inspiração. Até que ela veio. E, como da última vez, será um extremamente subjetivo. O tema: top 5 canções melancólicas/tristes. Ordem alfabética, ok crianças?


1- Aerosmith - Dream on
Aerosmith (1973)



Nos tempos de colégio, eu simplesmente odiava Machado de Assis. É difícil demais ler um cara com a complexidade dele quando você tem 15 anos. Hoje, é um dos meus escritores brasileiros prediletos. Na mesma época que eu odiava Machado, eu não parava de ouvir Aerosmith. A explicação: estava numa fase hard rock. E os clipes com Alicia Silverstone bombando na MTV também ajudavam. Agora eu passo longe; era um gosto altamente juvenil. Entretanto, algumas músicas me impressionam até hoje. Dream on é a que tem o efeito mais duradouro. Ela tem um clima pesado, muito por causa das notas no piano tocadas por Steven Tyler. Sua letra é de uma melancolia por tudo que já aconteceu, pela idade que vem chegando e está clara no espelho. Mesmo assim, ele não quer deixar de sonhar até que tudo se concretize. Repete várias vezes "dream on, dream on" como se fosse um mantra, uma tentativa de espantar a melancolia, a dor e a tristeza do começo. E ele falha.


2- Amy Winehouse - Back to black
Back to black (2006)



Sim, Amy é doidona, bebe todas, usa o que quer, apronta na hora que bem entende e se livra numa boa. Mas isso não impede a filha de um humilde taxista inglês de realmente sentir suas dores, especialmente a de perder o amor da vida para outra pessoa. Tá certo que eles não se davam muito bem assim não. Ele gostava de pó e ela de maconha. Nesse momento, até surge uma certa resignição que talvez o amor não fosse suficiente. Mas esse pensamento só dura um pequeno momento. Ela volta ao luto logo logo. A despedida não foi do jeito que queria, só com palavras. E ela ainda morreu 100 vezes por causa da separação. O clipe consegue ser ainda mais melancólico, com todo aquele climão de um enterro pomposo numa tarde chuvosa.

3- Blind Melon - No rain
Blind melon (1993)



"Ah, eu adoro o clipe da abelinha!" Muita gente gosta, acha bonitinho, uma coisa meio Pequena miss sunshine mais de 10 anos antes. A menina sapateia, chora, é consolada pelos doidões da vida, as cores brilham nos olhos e fica tudo bem, certo? Não. A vida nem sempre é assim, nem sempre tem final feliz. Só quem olho pela janela e se perguntou o motivo de a chuva ainda não ter aparecido é que sabe das coisas. Como pode ser digno alguém que só sorri, certo? No rain é o perfeito contraste entre melodia e letra. Uma te deixa com vontade de deixar, jogar os braços para os lados feito criança, pular, rir. A outra te dá um murro no queixo e te derruba.

4- Gogol Bordello - Alcohol
Super taranta! (2007)



O punk cigano agradece ao álcool por tudo que aconteceu na vida. Chega até a pedir desculpas por aqueles que te dão a fama ruim. "And I'm sorry some of us given you bad name. Yeah o yeah, cause without you nothing is the same." Tem mesmo que dizer mais alguma coisa? Quando ouço, parece que estou num fim de festa, onde o dotadão levou todas as mulheres e só restou a cerveja quente com gosto de mijo.

5- Johnny Cash - Hurt
American IV - the man comes around (2002)



Imagine um viciado dizendo que quer se machucar só para sentir alguma coisa. Agora, pense em Johnny Cash, ele mesmo um viciado, transformando a música do Nine Inch Nails em um petardo para depressivos nunca mais voltarem. Assim é Hurt, magnifíca versão que Cash regravou no melhor disco da série American. Depressiva como alguém que vê a vida acabar da pior maneira possível.


Esse post tava perdido há quase dois meses no sistema do blogspot. Achei que agora seria um bom momento para retomá-lo.