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sábado, 24 de setembro de 2011

Caramba, 20 anos?


"O tempo passa, o tempo voa, mas a poupança Bamerindus continua numa boa." Realmente, o tempo passa muito rápido. A vida é um sopro, como disse Niemeyer. Tanto que o banco da propaganda não existe há muito tempo, assim como o contexto de inflação galopante inserido na peça publicitária. E tudo passa tão rápido que nem parece que há 20 anos o Nirvana lançou o que foi (talvez) o último disco a mudar o cenário da música mundial.

Foi um segundo semestre de1991 prolífico: além de "Nevermind", teve o "Blood sugar sex magic", do Red Hot Chili Peppers, e "Ten", do Pearl Jam. Enquanto o disco do RHCP saiu no mesmo dia do álbum do Nirvana, a estreia de Eddie Vedder e companhia chegou às lojas dos EUA um mês antes. Mas estava escrito nas estrelas (hehehe) que seria Kurt, Krist e Dave os caras responsáveis por virar a indústria musical de cabeça para baixo.

Chega de contexto histórico, este texto não é sobre isso; é da minha relação com "Nevermind". Lembro bem da primeira vez que ouvi falar em Nirvana. Alguns meses depois do lançamento nos EUA, conversava com um amigo por telefone. Devia ser janeiro ou fevereiro de 1992. Ele sempre passava as férias no Rio de Janeiro e voltava com as novidades do que estava rolando para a roça que Florianópolis era na época.

Ele não parava falar do Nirvana, do clipe de Smells like teen spirit, o quanto aquilo era legal, que já tinha aprendido a tocar um trecho no violão. Tínhamos 12 anos na época, começando a ouvir rock'n'roll, sem as facilidades de hoje... Naquela época, minha principal fonte de informação era a finada e saudosa revista Bizz. Eu tinha lido sobre o Nirvana, a resenha de Nevermind tinha saído numa edição anterior. Mas a única imagem que eu tinha dos caras era a capa do disco, não fazia ideia de como a banda soava.

Depois de um tempo de espera, consegui comprar o vinil. Era impressionante tudo aquilo... Um mundo novo se abriu pra mim, um garoto que começava a ouvir rock e se inclinava mais para o heavy metal. Digo jocosamente que "Nevermind" me salvou; se não fosse por ele, seria metaleiro até hoje. Claro que existe muita romantização aí, sem muito rigor histórico. Ao mesmo tempo que me abriu uma nova gama de bandas (todas aquelas do grunge), continuei ouvindo metal, coisa que faço até hoje.

O que mais me impressiona no disco é que ele não soa datado. Nunca saberemos se Kurt queimou toda sua criatividade em "Nevermind", como alguns gostam de dizer. Mas olha, serviu para ficar entre os melhores de todos os tempos, junto com "Back in black", "London calling", "Revolver" e "Let it bleed". Quer companhia melhor do que essa?

Para relembrar, a música que mais gosto de todo o disco:

sábado, 23 de julho de 2011

You know that I'm no good

Lembro bem do dia que conheci Amy Winehouse. Já tinha lido sobre ela, colegas recomendavam. Até que entrei na FNAC e coloquei "Back to black" para ouvir. A ideia era dar o disco de presente para uma (hoje) amiga, já que a inglesa era costumeiramente comparada a Nina Simone. Ao ouvir Rehab pela primeira vez, experimentei algo que não sentia há tempos. Surpresa e deslumbramento misturados que imediatamente resultaram em um sorriso no rosto e a certeza que estava ouvindo um disco que entraria para a história da música.

Quatro anos depois, estou vendo televisão quando vem a notícia que Amy morreu. Que triste! Não me sentia assim desde que Kurt Cobain morreu. E aí comecei a pensar que a história de ambos é mais parecida do que podemos supor. Além da tal coincidência de fazerem parte do Clube dos 27 - junto com Jim Morrison, Janis Joplin e Jimi Hendrix, entre outros - os dois eram pessoas extremamente apaixonadas pela música, donos de talentos extraordinários. Ficaram conhecidos mundialmente após o lançamento de seus segundos discos. Kurt e o Nirvana com "Nevermind", Amy com o já citado "Back to black".

Não é só isso. Parece que ambos tinham extrema dificuldade em lidar com tudo que vinha a reboque da fama alcançada por seus trabalhos. Kurt repetidamente dizia que não queria nada daquilo. Depois do lançamento de "In utero", último disco de estúdio do Nirvana, ele já dava sinais que queria sair da banda, fazer outras coisas. Não estava interessado em excursionar pelo mundo (talvez nunca esteve), em gravar mais com os colegas Krist Novoselic e Dave Grohl, em tocar Smells like teen spirit e por aí vai. Durante a curta carreira da banda - cinco anos -, entrou e saiu de clínicas de habilitação por conta do vício em heroína, teve uma overdose em Roma e acabou dando um tiro de espingarda na cabeça em abril de 1994.

Mais do que Kurt, Amy agonizou em praça pública por um bom tempo. Suas brigas com o (ex) marido Blake, as entradas e saídas do rehab, as quedas no palco, o esquecimento de letras durante os shows. Fez a fama de muitos papparazzi por conta de seus excessos em público. E também começou a atrair a atenção mórbida de muita gente. No show que ela fez em São Paulo em janeiro, muitos vibravam cada vez que ela esquecia parte de uma letra, torciam para que ela caísse. Saíram frustrados... Não foi um grande show, talvez nem bom. Mas, de qualquer maneira, foi possível presenciar ao vivo um daqueles talentos que aparecem bem de vez em quando.

Vi muita gente dizendo que Amy morreu por conta das drogas. Teve até comparação com Keith Richards, notório doidão que até hoje está aí cheirando todas. São coisas diferentes. Acho que para a cantora as drogas foram o caminho, o meio, para fugir de um mundo onde ela não conseguia se adaptar. Nunca foi aquela coisa de "vamos curtir, vamos cheirar todas" e ficar viciada até não ter mais como viver sem beber até cair, sem cheirar até o fim. Se não fosse desta maneira, ela encontraria outra até sair desta vida para sempre.



"I wish I could say no regrets
And no emotional debts
'Cause as we kissed goodbye the sun sets
So we are history
The shadow covers me
The sky above a blaze
That only lovers see"

Tchau, Amy.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Das favoritas de tocar

Adoro o shuffle do iPod: é uma emoção a cada música (haha). Com mais de 400 canções guardadas no aparelhinho da Apple, sempre rola a expectativa de qual será a próxima. Por conta do mecanismo, descobri seqüências improváveis que combinam bastante, apesar de não parecer. Voltava para casa ontem à noite, com o iPod me trazendo boas surpresas. Até que entra aquela introdução lenta e dedilhada, com a letra "I'm so happy 'cause today I found my friends" apareceu...

A partir desse trecho, uma sucessão de lembranças foi desencadeada. Tanto que até esqueci um pouco de prestar atenção em Lithium, uma das minhas músicas prediletas do disco do Nirvana que salvou a minha vida (que o deus metal não sabia disso). Até mesmo por causa da sua característica Pixies - entrada lenta, refrão rápido e barulhento -, ela sempre me chamou a atenção. Mesmo com o tema forte, já que lítio é usado em tratamento de depressão, essa é a música mais pop de "Nevermind".

A primeira lembrança foi do documentário sobre "Nevermind" na série Classic albuns. Em determinado momento, um crítico de música diz que ficou abismado ao ver o público responder tão bem à toda aquela melancolia em uma melodia pop e alegre. Era pura contradição em acordes. Imediatamente fui transportado para a festa de ano novo que fizemos na Landscape, quando coloquei essa música para tocar. É uma das que eu faço questão que role nas baladinhas rock'n'roll. Para sempre ver a mesma cena: todos abraçados durante "I'm so happy cause today I found my friends, they're in my head".