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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Pode deixar o chapéu

E aí o camarada Túlio veio e já voltou para a Indonésia. Rolou uma despedida básica no Beirute, com uma esticada em um famoso cabaré da cidade. É engraçado ver a escolha de músicas das strippers. Se é que são elas mesmas que escolhem... tem uns chavões, umas coisas impensáveis e outras simplesmente ruins (para meu gosto, claro). Papo vem, papo vai, fiquei pensando numa listinha à Rob Flemming, o personagem da literatura mais citado na história deste blog. Tá, ele deve ser o único, mas vamos lá a mais um top 5. Desta vez, ele será dividido em duas partes: quatro chutes e um chavão rocks para tirar a roupa.

Os quatro chutes:
1- Faith no More - Edge of the world
Ok, eu sei que a música é sobre pedofilia. E toda vez que a ouço lembro do João Gordo dizendo, numa Bizz de muito muito tempo atrás, que Mike Patton era doente. Mas ela tem uma malícia (também pudera) e um ritmo propício para uma dança mais lenta, com boas manobras no poste. A canção se segura basicamente na voz de Patton, no piano e na bateria; o baixo está ali, em união com tudo isso. Até pela letra, uma fantasia de colegial casa bem com a música.



2- Black Keys - Howlin' for you
Não tem declaração maior do que quando um cara diz que está uivando para a mulher. É o que diz uma das melhores músicas deste discaço do Black Keys. Esta, mais acelerada, transborda sensualidade. Se for iniciante, talvez tenha problemas em acompanhar. Ah, convenhamos que o clipe ajuda bastante nisso. Essa mistura de Machete com Kill Bill dá muitas ideias.



3- Queens of the Stone Age - Make it wit chu
Quando li a Juliett Lewis classificando a música do QotSA como uma das mais sexies de todos os tempos, não concordei. Mas olha, tem seus encantos. Ritmo, letra e melodia em perfeita sintonia para um bom strip. Toda vez que ouço, fico imaginando um birosca de beira de estrada, cheia de caminhoneiros e mulheres da vida, fumaça de cigarro, uísque barato nos copos e um palco no meio de tudo isso.



4- Nine Inch Nails - Closer
"I wanna fuck you like an animal, I wanna feel you from the inside." Com um refrão como esse, Trent Reznor canta a agonia do cara que morre de tesão por uma mulher, que precisa do sexo para se sentir menos pior. Com sua batida eletrônica, Closer tem o necessário para uma boa dança, especialmente se misturada a elementos S&M.



... e um chavão:

5- Joe Cocker - You can leave your hat on
Não basta a letra falar de strip. A música tem que ser trilha de dois filmes em cenas de... strip! É claro que a leitura de Cocker para a canção escrita por Randy Newton ficou imortalizada com a cena de Kim Basinger tirando a roupa para Mickey Rourke em 9 1/2 semanas de amor. Agora, em Ou tudo ou nada ela ganhou um contorno cômico. Chavão porque, além de estar em filmes e ser sempre lembrada por isso, sempre é o som de alguma stripper em algum cabaré por aí.




segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Brincando mais uma vez de Nick Hornby

Ao responder a um desafio no Plurk - boa parte da minha ausência aqui no blog é por causa dele -, comecei a matutar e demorei para encontrar resposta. A pergunta era singela: diga uma música linda. Só isso. O problema é que o parâmetro é grande, amplo demais. Você pode considerar uma música bonita porque a melodia te faz sonhar, ou porque a letra tem uma poesia fora do comum, ou porque fala de amor e por aí vai... Depois de dar uma boa matutada nisso, coloquei lá duas músicas. E como em São Paulo eu peguei a edição gringa de Alta fidelidade do Dilson para ler, decidi fazer um top 5 aqui. Assim como os maiores foras que Rob Flemming levou, eu vou fazer esse em ordem cronológica.

1- Johnny Cash - I walk the line
Single (1956)
Johnny Cash era, acima de tudo, um malaco. O homem de preto escrevia sobre cadeia, sobre brigas e sobre assuntos mais soturnos. Mas também sabia, como poucos na época, compor músicas que tocassem as pessoas pela simplicidade da melodia e pela letra direta, apaixonada e sem rodeios. Ouvir I walk the line é deixar entrar no sistema uma canção onde ele diz que, por causa da amada, consegue ser uma pessoa melhor. Mesmo que, quando o dia acabe, ele fique sozinho, mas a lembrança da amada o faz voltar para a linha. Não consigo imaginar um melhor elogio do que ouvir que, por causa de mim, você quer ser uma pessoa melhor. Aí eu lembro daquele diálogo entre Jack Nicholson e Helen Hunt em Melhor impossível. Ela pede um elogio e ele responde: "Você me faz querer ser um homem melhor". Uau.
Por que é linda? Porque ela me faz querer ter alguém para ser uma pessoa melhor.

2- Rolling Stones - Far away eyes
Disco: "Some girls" (1978)
Sim, eu sou fã dos Stones. Sinceramente, não sei como tem gente que curte rock e renega a banda. Talvez seja o efeito da vitalidade e dos péssimos discos lançados desde a década de 1980. Eu, por muito tempo, delimitei uma faixa temporal, que começava em 1966 ("Aftermath") e terminava em 1974 ("It's only rock'n'roll"). Isso durou até uns meses atrás, quando eu finalmente assisti Shine a light, o celebrado - e superestimado - documentário da banda assinado por Martin Scorsese. Lá no meio, Keith Richards deixa a guitarra de lado e assume o vocal. Começa então um country arrastado, bem lento, com steel guitar e tudo mais. Arrepios. Aí eu fui atrás de "Some girls" e estiquei a faixa até 1978, muito por causa dessa música. Jagger canta como se estivesse no Tennessee, forçando o sotaque red neck e a entonação. Tudo que ele quer é uma garota com olhos distantes, que vai consertar sua vida quando a maré de azar chegar e a sua vida não valer um centavo. A vida é uma merda, mas uma mulher assim pode melhorar tudo. E não é verdade?
Por que é linda? Porque dá esperança; afinal, é preciso achar uma garota que te coloque para cima. E a música remete a um dia feliz, dançando juntinho com a menina em um bar os velhos refrões que um velho ensinou.

3- Neil Young - Harvest moon
Disco: "Harvest moon" (1992)
São tantas lembranças que fica impossível não colocar Harvest moon nessa lista. Esse foi o primeiro disco do Neil Young que eu comprei, e até hoje o considero o melhor da minha (pequena) discografia do cara. Ele tem a manha de fazer álbuns de rock sujos, com uma pitada de country, e, de repente, lançar composições compostas em violão, em um clima acústico e sobre temas rurais, perfeito para ouvir com aquela garota ao lado. Obviamente o ponto alto é a música no meio das faixas 3 e 5. A levada de vassoura na bateria dita o ritmo, enquanto a guitarra dedilha as notas mais altas. E a letra não deixa barato. Realmente dá vontade de fazer o que ele diz. Pegar a amada, andar de mãos dadas e dançar um pouco somente com a luz da lua. Sentir a noite como se não houvesse mais nada além disso. Ah, e o maior prazer de todos é vê-la dançar.
Por que é linda? "I want to see you dance again / because I'm still in love with you / on this harvest moon", canta Young. Isso não é só amor; é admiração e idolatria também, na medida certa. Precisa mais?

4- Los Hermanos - Sentimental
Disco: "Bloco do eu sozinho" (2000)
Sempre que ouço esse disco, lembro do que o Upiara escreveu em uma edição do finado e-zine Cabron, que enviávamos por e-mail para umas centenas de pessoas uma ou outra vez por mês há uns seis ou sete anos. "Como sofre de amor esse tal de Los Hermanos!", sustentou Upiara no fim da resenha do "Bloco do eu sozinho". Não que a banda dos hits Anna Júlia e Primavera não fosse assim antes. Só que no primeiro disco tudo acabava disfarçado pelo estilo hardcore que a banda tentava adotar. Depois mudou, como mostra essa música. Sentimental sobe lentamente. Primeiro entra o piano, seguido da bateria e do dedilhar da guitarra. Vai assim até chegar na estrofe esgoelada, ferida e desesperada gritada por Rodrigo Amarante. Não tem esperança, não tem final feliz, não tem redenção. O amor também pode ser uma merda; basta não ser correspondido para saber como é.
Por que é linda? Porque é o perfeito caso onde letra e melodia se encontram. Ambas são melancólicas ao extremo - dá vontade de chorar ouvindo a agonia do Amarante -, mas conseguem escapar do pieguismo e de qualquer excesso.

5- Radiohead - House of cards
Disco: "In rainbows" (2007)
Rob Flemming perguntava se as pessoas eram miseráveis porque ouviam música pop ou se era o contrário. Aqui é mais um caso de uma música que trata de um amor não correspondido, de desilução. Mas o freak Thom York tem um jeito especial de transformar a saga de um cara apaixonado por uma mulher casada num libelo a favor da felicidade a partir de decisões extremas. O rapaz já chega dizendo que não quer amizade, quer um relacionamento amoroso. Não negue, beije seu marido e vá embora depois de jogar as chaves do pote. É como se York dissesse para as pessoas terem coragem de assumir o amor, mesmo que isso seja muito duro de fazer. Ela está no outro lado de Sentimental. Enquanto o Amarante se lamentava por ela não corresponder, aqui o Radiohead coloca o pé na porta e grita "denial, denial".
Por que é linda? Porque resgata a atmosfera perdida com o lançamento de "Kid A". E porque, desta vez, York foi direto ao ponto, sem precisar de árvores de plástico ou de lutar contra o carma da polícia.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

The evil of the thriller

É, tava ficando feio já. Mal criei um novo blog e ele fica um bom tempo cheio de teias de aranha, sem novos posts para dar um pouco de movimento à página. Mas, ao ler um texto da minha querida orientadora na UFSC, a Regina, fiquei com vontade de fazer o mesmo. O retorno veio no estilo Rob Flemming, com mais uma listinha para a galera discutir. Desta vez, filmes de terror.

Quem me conhece sabe que eu adoro o gênero, desde os psicológicos até os de zumbis, passando pelos B e sobrenaturais. Então veja bem: essa listinha não tem nada de objetiva. São apenas pensamentos e sensações ao ver as fitas. Ah, também não vai ter ordem, eles estão aqui aleatoriamente formando meu top 5 (afinal, as listas de Rob Flemming tem apenas cinco itens).

5- O massacre da serra elétrica
(The Texas chainsaw massacre, 1974. Direção: Tobe Hopper)
Ele começa com a produção do filme avisando que a história é real e que teria acontecido anos antes nos EUA. Claro, depois de assistir, você sabe que tudo aquilo ali é ficção, baseado muito de leve na história do Ed Gain, serial killer norte-americano do início do século passado. O massacre da serra elétrica é o grande filme do sub-gênero slasher, aquele em que um assassino sai matando todos que vê pela frente da maneira mais sádica possível.

4- A noite dos mortos-vivos
(Night of the living dead, 1968. Diretor: George A. Romero
O grande mérito do Romero é ter conseguido com essa singela fita formar um outro sub-gênero dos filmes de terror: o de zumbis. A pretensão inicial era bem menor: o que ele queria mesmo era fazer um libelo contra o preconceito usando mortos-vivos. De Resident evil a Extermínio, passando por Zombie strippers e Boy eats girl, nenhum deles existiria se não fosse por Romero. É um dos filmes que eu deixo no topo da prateleira, volta e meia pego para assistir. Indispensável.

3- O bebê de Rosemary
(Rosemary's baby, 1968. Diretor: Roman Polasnki)
Obra-prima do terror psicológico. Não vemos nada, não ouvimos nada. Mas o roteiro, os closes, as sombras e a crescente loucura da personagem principal fazem o clima do filme aumentar a cada minuto. Polanski acertou na mão. E ainda, no fim, deixa uma mensagem que já virou chavão: amor de mãe supera tudo. Mesmo que a criança seja filho do coisa ruim.

2- O iluminado
(The shining, 1980. Diretor: Stanley Kubrick)
A Regina escreveu bem: ele é uma obra muito mais kubriquiana do que kinguiana. As diferenças entre filme e livro se acentuam a partir da metade de cada um. É como se Kubrick e Stephen King tivessem pego bifurcações que os levassem cada vez mais longe um do outro. Para mim, claro, o cineasta entrou na estrada certa. Ele mostra Jack Torrance cada vez mais como vítima do seu meio, enlouquecendo pela pressão de estar isolado no Overlook Hotel em pleno inverno. A cena que eu mais gosto é a de Nicholson arrombando a porta do quarto com o machado, enquanto grita as frases do lobo mau para os três porquinhos e termina com o "here's Johnny".

1- A profecia
(The omen, 1976. Diretor: Richard Donner)
MEDO. Esse é o filme mais assustador de todos os tempos. O que dizer do menino, quase sem falas e que assusta todo mundo. A cena final, depois da dúvida de quem morre, é de arrepiar. Já perdi as contas de quantas vezes vi a fita. Mesmo assim, toda vez levo sustos e mais sustos. O que Donner fez está além das palavras.