domingo, 21 de julho de 2013

Meu namorado é um zumbi

Zumbi limpinho para ter sex appeal
Não é segredo algum minha predileção por filmes e livros de zumbis. Realmente é um dos meus gêneros prediletos. Vi e li muita coisa boa; e muita porcaria também. Para citar algo muito trash, sempre lembro de uma cena de City of the living dead onde um morto-vivo luta e mata um tubarão debaixo d'água. Ou então a versão cinematográfica de Dylan Dog (as HQs são ótimas). Já para convencer alguém que o gênero é massa, não tem como escapar de Shaun of the dead, a primeira parte da Trilogia do Cornetto, e o arrasa-quarteirão The walking dead.

Depois de sei lá quanto tempo armazenado no HD do computador, criei coragem para assistir o que muita gente chamou de "Crepúsculo para zumbis": Meu namorado é um zumbi. Adaptado do livro Warm bodies, ele subverte várias das máximas dos filmes de mortos-vivos. Para atingir um público maior e conseguir passar um sex appeal que as fitas nunca possuíram, os comedores de carne humana foram limpados a ponto de não parecerem alguém que apodrece aos poucos. Tudo para não assustar as platéias que acompanharam com tanta paixão a saga do vampiro vegetariano e a donzela virgem.

O que mais irrita em Meu namorado é um zumbi é a constante tentativa de fazer os zumbis não parecerem... zumbis! Em vários momentos da fita, em especial da metade para o final, você realmente esquece que está vendo um filme sobre mortos-vivos, já que eles não aparecem. E quando aparecem, falam, possuem sentimentos e até lutam. Os esqueletos, colocados como vilões, são quase alienígenas, com força e velocidade que fariam inveja a Extermínio 2.   

Além de limpar os zumbis, sem membros caindo ou as entranhas aparecendo, o filme mostra eles falando, fazendo coisas de pessoas quase normais, como colocando um disco para tocar ou dirigindo um carro. A história central é mais estúpida ainda. Partindo da premissa que o amor supera e conquista tudo (SPOILER), os mortos vivos se recuperam a partir do relacionamento dos dois personagens principais, Julie (Teresa Palmer) e R (Nicholas Hoult). Veja bem, a temática do amor entre um zumbi e uma pessoa viva não é nova, já foi explorada em Boy eats girl, por exemplo.

Durante a primeira metade do filme o que eu mais pensava o estrago que Meu namorado é um zumbi faria ao gênero. Depois de todas as obras-primas feitas por George Romero, muita porcaria saiu na praça, especialmente vindas da Itália (isso é para você, Jess Franco). Mesmo assim, os filmes mantiveram uma certa linha até ressurgirem com a série Resident evil e o espetacular Extermínio. Muita gente não considera os dois como de mortos-vivos por estarem contaminados por vírus, mas ajudaram a retomar o interesse por esse tipo de fita.

Muito por causa dos dois que foi possível o sucesso de The walking dead tanto como HQ quanto série de televisão e Zumbilândia foi bem nas bilheterias. Também por isso livros como Guerra mundial Z e Orgulho, preconceito e zumbis viraram realidade, assim como a adaptação cinematográfica blockbuster do livro de Max Brooks. Depois de lembrar disso, vi que a bilheteria total de Meu namorado é um zumbi foi menor, por exemplo, do que Zumbilândia.

Fiquei tranquilo. Mesmo assim, chego a conclusão que tal como Armadinho faz mal ao reggae, o filme é ruim para o gênero. Mas, pelo menos, não virou uma tendência como vampiros vegetarianos que andam no sol.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

I walk the line, Mr. Cash

A terça-feira passou tão rápido pelo dia movimentado e longo no Congresso que esqueci completamente de registrar isso. Em 26 de fevereiro de 1932 nasceu John R. Cash. Se estivesse vivo, teria completado ontem 81 anos. Durão, brigão, viciado em pílulas, gênio, o cara. Viveu a boa vida, lutou o bom combate um bocado de vezes. Esteve no chão e nas alturas. Experimentou um renascimento que poucos acreditavam.

Teve boa parte de sua vida pautada por um amor que demorou a chegar. Mesmo casado e com filhos, nunca deixou de correr atrás de quem se apaixonou à primeira vista. Já separado, quase no fundo do poço, conseguiu. Casou, teve mais filhos... Virou uma espécie de ídolo para uma nova geração nos anos 1990. Mas, quatro meses depois de sua mulher, June Carter, morrer, ele também se foi. São quase dez anos sem a dupla. :(

Uma das minhas passagens prediletas da autobiografia de Johnny Cash (escrita por Johnny Cash, como diria Rob Gordon) é a seguinte:

I got elected to the Country Music Hall of Fame and the Rock'n'n Roll Hall of fame. I got addicted to pain pills, got treated at the Betty Ford Clinic, recovered, got addicted again, and recovered again. (...) I'm thankful that I have a good wife beside me, that I can trust her and depend on her in a lot of ways. I'm thankful she's a soulmate, that we can talk to each other without even speaking and have an understanding on a lot of things. I'm thankful she loves my children. I'm thankful I don't have rambling in my mind, that I'm not thinking about other women, so long as I keep my heart and mind together.

Aqui, talvez a música que o fez ser conhecido por toda uma nova geração. A mesma geração que foi comprar seus discos da fase American, que foi atrás dos LPs ao vivo em Folsom e San Quentin, as gravações para Sum Records, que se emocionou com Johnny and June, que usou suas letras como inspiração para camisetas e tatuagens...



sábado, 25 de agosto de 2012

Atualizando as séries

Esses dias um camarada me perguntou quantas séries eu assistia. Para falar a verdade, eu não lembrava do número exato. Chutei que eram 25. Claro que nem todas rolam ao mesmo tempo. Agora mesmo são poucas que estão sendo transmitidas nos EUA. A grande maioria só começa entre setembro e outubro. Então dá para conciliar com o resto da vida - trabalho, filmes, livros, discos, Avaí, festinhas. Tempo há, é preciso planejamento.

De qualquer maneira, o chute no número era mais pelo fato de algumas séries que eu assistia terem sido canceladas quando fiz a lista pela primeira vez, no começo do ano. Umas por desempenho insatisfatório na audiência, como Alcatraz e Unforgettable, outras por decisão dos próprios produtores, como House e The closer. Aí, ao fazer as contas, fiquei surpreso ao ver que a lista aumentou! Mesmo com os cancelamentos, o número de séries passou de 27 para 29. Enquanto cinco saíram do ar, comecei a assistir outras sete, como Suburgatory (foto). Eita...

Vamos à lista:

Baixando
Alcatraz 
Anger management
Body of proof
The closer
Dexter
Hell on wheels
Homeland
House of lies
The killing 
Major crimes
The middle 
Modern family
New girl
The newsroom
The office
Pan Am
Parks and recreation
Person of interest
Perception
Rizzoli & Isles
Suburgatory
Two and a half men

Unforgettable
True blood
 
The walking dead

Comprando os DVDs:
Bones
Boardwalk empire
Breaking bad
Californication
House
Mad men
The Big Bang theory
30 rock
Weeds

sábado, 31 de março de 2012

Sequências

Fazia tempo que eu não posta umas sequências aqui. Todas estavam indo para o blog da Pulp. Mas, como desta vez foram presenças isoladas, decidi colocar por aqui. Rolaram festinhas interessantes. A primeira foi a Old school, com os camaradas Bode Velho e Vital. A exigência da festa era apenas rock dos anos 70, 80 e 90. Fugi um pouquinho (bem pouquinho) do script e mandei algumas dos anos 60 também. Acho que continua configurado como old school, né?

1- Rush - Fly by night
2- Creedance Clearwater Revival - Fortunate son
3- Iron Maiden - Wrathchild
4- Metallica - For whom the bell tolls
5- Foo Fighters - This is a call
6- Breeders - Divine hammer
7- Flaming Lips - She don't use jelly
8- Stone Temple Pilots - Big bang baby
9- Weezer - Buddy Holly
10- Korn - Freak on a leash
11- Cake - I will survive
12- Guns n'Roses - Sweet child o'mine
13- Blind Melon - No rain
14- Rolling Stones - Satisfaction
15- Kiss - Rock n'roll all nite
16- Queen - Under pressure
17- AC DC - Highway to hell
18- Judas Priest - Breaking the law

Depois, foi a vez de eu e Túlio, retornando momentâneamente de Jacarta e fazendo aniversário, tocarmos na Play. Sempre é divertido tocar lá, uma das melhores festas da cidade (independente do gênero). Poucos hits, coisas legais, testes interessantes. Vejam (as em negrito fui eu que eu toquei):

1- Foals - Mathletics
2- Dressy Bessy - Small
3- The Like - He's not a boy
4- Metric - On the sly
5- She and Him - Oh boy
6- The Virgins - Radio Christiane
7- Ben Folds - Such greath heights
8- Suede - Metal Mickey
9- Band of Skulls - The devil takes care of his own
10- Voxtrot - Brother in conflict
11- Grouplove - Tongue tied
12- Of Montreal - A sentence of sorts in Kongsvinger
13- The Decemberists - Calamity song
14- Joan Jett - Do you wanna touch
15- Imelda May - Tainted love
16- Ida Maria - Forgive me
17- Blondie - Call me
18- Killers - Change your mind
19- The Vaccines - Noorgard
20- Arcade Fire - Month of may
21- Belle and Sebastian - I want the world to stop
22- The Virgins - Private affair
23- Phoenix - Lasso
24- Two Door Cinema Club - What you know
25- Interpol - Barricade
26- Dirty Pretty Things - Gin & milk
27- Vampire Weekend - Cousins

segunda-feira, 12 de março de 2012

Terror dos bons

American horror story realmente vale a pena ser vista. Pense em algo baseado em Poltergeist com pitadas de Cemitério maldito, A profecia, O bebê de Rosemary e mais uma série de outros clássicos do terror. Tudo isso com a magnífica perfomance de Jessica Lange e de um bom elenco. Apesar de um primeiro episódio confuso, com roteiro atirando para tudo quanto é lado, é bom continuar. Junto com Homeland, são os dois grandes seriados de 2011.

Óbvio que os enredos são completamente diferentes. Enquanto um tem no suspense e terror seu mote, o outro usa a contemporaneidade dos conflitos terroristas como linha de história. No entanto, em comum, roteiros bem construídos e atuações femininas muito boas. Em AHS, Jessica Lange realmente dá um banho como Constance Langdon. Em Homeland, Claire Danes está espetacular como agente da CIA que sofre de transtorno bipolar.

Nestas horas que a gente vê como faz a diferença ter "atores de verdade" numa série com um pouco mais de liberdade. É claro que, na escala de "o céu é o limite" para roteiros, a Showtime, que produz Homeland, está bem à frente do FX, canal onde passa AHS. Já escrevi aqui, porém, que a série tratada como uma versão feminina de 24 horas parece padecer do mal de outros programas: ter um enredo suficientemente bom para apenas uma temporada.

Para quem não viu AHS e pretende assistir, cuidado com spoilers. Achei interessante a ideia dos produtores em não manter a casa assombrada em Los Angeles como cenário da série. Também é uma boa acabar com boa parte dos personagens, mantendo uns poucos dos que se destacaram. Se tem uma coisa que 24 horas ensinou é que quase todos são dispensáveis. Deixa a família para lá, todos morreram e ficaram felizes assim. As intrigas dentro do casarão não atrairiam a atenção de muita gente. Que venha a segunda temporada. E viva o terror!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

TV party tonight

Quase todo dia é dia de festa na tv, na verdade. Antes da internet virar o que virou, éramos reféns das boas produções chegarem aos canais abertos e fechados do país. Agora, horas depois de eles serem transmitidos nos EUA, os seriados já estão disponíveis para baixar nos torrents da vida. Aí começa a ler sobre um episódio aqui, outro acolá, quando se vê a pessoa está acompanhando um monte de programas diferentes.

Para um metódico como eu, é claro que haveria uma divisão entre os seriados. Se eu assisto regularmente, é porque eu gosto, mesmo sem entender os motivos. Tipo Rizzoli & Isles, série policial com pitadas de comédia da TNT. Todo episódio eu termino com um dafuq, sem conseguir explicar a mim mesmo porque eu vi aqueles 46 minutos e, ainda por cima, gostei. Como escrevi abaixo, em outras eu chego a fazer um exercício mental para saber se vai dar certo ou não. É o caso de Homeland.

Então, a tal divisão... eu classifico as séries em duas, aquelas para baixar e aquelas para comprar o DVD e assistir depois. A grande maioria está na primeira categoria, que é subdivida em duas. A maior parte dos seriados eu baixo em formato do Real Player, propício para assistir no computador. É o caso da já citada Rizzoli & Isles, e de outras como The closer (cujas primeiras quatro temporadas comprei em DVD) e comédias como Modern family, Parks and recreation e Two and a half men.

Aí tem a outra subcategoria: as que eu baixo em alta resolução, por torrent, para assistir na televisão. Normalmente são séries mais elaboradas, transmitidas nos EUA por canais fechados como Showtime e HBO. É o caso de Dexter, Homeland, True blood e The walking dead. Mais uma se juntou à lista: é a recém lançada Alcatraz, que parece ser interessante.

A segunda categoria é, como já disse, das séries que eu compro o DVD. Antes até fazia isso com mais frequência, mas a demora de os lançamentos chegarem no Brasil irrita, o que acaba te levando a baixar. Mesmo assim, mantive o hábito com algumas séries como House, Bones e Californication. Ainda preciso comprar as últimas de The Big Bang theory e 30 rock. Outras, como The closer e The office eu parei de comprar e comecei a baixar, não teve jeito...

Vamos à lista:

Assistindo no computador:
Body of proof
Hell on wheels
Modern family
New girl
The office
Pan Am
Parks and recreation
Rizzoli & Isles
The closer
Two and a half men
The middle
Unforgettable

Assistindo na televisão:
Alcatraz
Dexter
Homeland
House of lies
Person of interest
The killing
True blood
The walking dead

Comprando os DVDs:
Bones
Californication
House
Mad men
The Big Bang theory
30 rock
Weeds

No total, são 27 séries. Talvez tenha esquecido uma outra, mas o grosso é isso aí. Aí da-lhe metodologia para, além de ver tudo isso, ter tempo para trabalhar, ler e se divertir com outras coisas!

\o/

Este post foi atualizado em 10/02 para mudanças na ordem da lista (Person of interest saiu do Real Player para a televisão) e House of lies entrou para a mesma lista. Mad men, que vi mais episódios, também é outra novidade.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Play it again again again, Sam

A repetição do título é intencional. Afinal, na sexta-feira (27) eu e o Felipe tocamos juntos pela terceira vez na Play. Como das outras vezes, foi muito divertido. Além de ser uma das festas mais legais e duradouras da capital (não só no rock, mas em geral), é uma daquelas que nós dois frequentamos, assim como nossos amigos. Então, não é simplesmente chegar, tocar e ir embora. Não, é se divertir e ter a chance de tocar coisas que nem sempre a Pulp dá espaço para a gente fazer.

Nós abrimos a pista. A foto foi tirada pelo chapa Marcos Pinheiro logo que começamos a tocar. Foi legal poder mandar coisas um pouco diferentes do que o normal e ainda ter a obrigação de formar uma pista para quem assumiria as pick ups depois da gente. Aparentemente deu certo! Ah, antes de mandar a tradicional sequência que fizemos, um muito obrigado ao pessoal da Play por mais um convite! :)

As músicas em negrito foram tocadas por mim, as outras pelo Felipe:

1- The Wavves - I wanna meet Dave Grohl
2- Arcade Fire - The suburbs
3- She & Him - Oh boy!
4- Black Keys - Strange times
5- We Are Scientists - The great scape
6- Wolfmother - Woman
7- Foo Fighters - Rope
8- Supergrass - Grace
9- The Pains of Being Pure at Heart - Heart in your heartbreak
10- Weathus - A little respect
11- Bombay Bicycle Club - Shuffle
12- The Presidents of the USA - Lump
13- Mastodon - Curl of the burl
14- Franz Ferdinand - Come on home
15- The Donnas - Dancing with myself
16- Vitamin C - Last nite
17- Phoenix - Lisztomania
18- Kaiser Chiefs - Everyday I love you less and less
19- Two Door Cinema Club - What you know
20- Gorillaz - Feel good inc
21- Kings of Leon - Sex on fire
22- Arctic Monkeys - Dancing shoes
23- Ida Maria - I like you so much better when you're naked
24- Iggy Pop - Lust for life
25- Gogol Bordello - American wedding
26- Ting Tings - Shut up and let me go

As três últimas músicas na lista nem eram para ter rolado. Mas como houve a necessidade de continuar tocando, fui mandando o que vinha na cabeça!

Este post também foi publicado no blog da Pulp!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Trama de uma temporada


O vício em séries é tão grande que, de uns tempos para cá, eu costumo fazer um exercício mental para tentar advinhar se um programa vai vingar ou não. A partir da trama apresentada no primeiro episódio, gosto de imaginar suas ramificações, o que pode crescer, o que pode ser dispensado. Uma coisa eu descobri: quanto mais geral for o plot, melhor. Se ele couber em uma linha, a probabilidade de a série vingar é grande.

Normalmente, tramas muito elaboradas sofrem para ter continuação. Muitas vezes o que poderia render um ótimo filme ou uma minissérie é alongado para 12, 14, 20 episódios. Depois, os roteristas se viram nos 30 tentando imaginar soluções para uma trama mal concebida. Como alguém, por exemplo, nunca imaginou que Prison break não tinha fôlego para mais de uma temporada decente? (Pô, irmão vai preso para salvar irmão já preso a fugir...)

Outro exemplo foi a célebre Twin Peaks. Quem não lembra da famosa pergunta "quem matou Laura Palmer". Ao fim da primeira temporada, o telespectador já tinha a resposta, assim como o agente do FBI Dale Cooper. Por conta do sucesso, David Lynch e sua turma decidiram produzir uma segunda temporada, com 22 episódios. Era melhor ter ficado com os oito iniciais.

Bom, essa introdução foi necessária por conta da série que acabei de assistir a primeira temporada. Vencedora do Globo de Ouro de melhor série de drama, Homeland é bem interessante. Quase como uma versão feminina de 24 horas. Só que, aqui, a personagem Carrie Mathison (Claire Danes, espetacular no papel) é uma analista de campo, trata com informações, sem ser "operacional" como era Jack Bauer.

O pano de fundo é o mesmo: terrorismo. Enquanto Jack tinha 24 horas para resolver determinada situação - o que sempre acontecia depois de um enorme rastro de sangue ter ficado para trás -, Carrie encuca com um sargento fuzileiro naval que é encontrado após oito anos desaparecido no Iraque. A frase da propaganda entrega: "The nation sees a hero. She sees a threat" (A nação vê um herói, ela vê uma ameaça).

Antes de entrar mais na série, já adianto que vão rolar spoilers aqui. Se não assistiu ainda e não quer saber, vá para outra página. :)

Voltando, desde o começo fiquei com o plot martelando na cabeça. Da frase, pode-se tirar algumas possibilidades. A primeira é a mocinha, depois de muita dificuldade, sangue, suor e lágrimas conseguir comprovar sua tese e desmascarar o agora terrorista. A segunda é o inverso: o convertido é bem sucedido no ataque e a agente da CIA perde tudo. Optou-se por um misto. Apesar de o atentado planejado não funcionar, ele continua na sua missão.

Porém, a personagem de Claire Danes (de novo, sensacional, Globo de Ouro de melhor atriz mais que merecido) tem tantas perdas que fica difícil imaginar uma segunda temporada para ela. Vítima de transtorno bipolar, ela consegue esconder da agência sua condição por um bom tempo, até que uma operação vai mal e ela quase é explodida pelos ares. A partir daí, a carreira dela acaba, ela é internada e decide passar por um tratamento nada banal.

A demissão dela da CIA é irreversível; com o tratamento escolhido, sua memória vai para a cucuia. Enquanto isso, o sargento terrorista pavimenta sua campanha política e sua proximidade com o vice-presidente dos EUA. Por mais que a série tenha me intrigado e mexido comigo 0 gostei mesmo - acho muito difícil que a segunda temporada venha boa. Talvez seja como a já citada Prison break: uma temporada e já esgota.

A partir de outubro, quando estreia a segunda temporada no canal norteamericano Showtime, é que saberemos. Confesso que estou curioso para saber o que os roteiristas vão inventar para o destino de Carrie Mathison.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Bom para você!

A decisão de parar de beber veio da necessidade de perder peso e baixar radicalmente o colesterol, não necessariamente nesta ordem. Precisava ser feito e pronto. O último dia que bebi foi o seguinte ao meu aniversário. Durante a noite de 9 de julho e a madrugada de 10 de julho, segurei e emborquei as últimas gotas de Heineken. Tava decidido, ia parar de beber.

Primeiro, tinha colocado como meta ficar sem beber até a viagem a São Paulo em novembro para a maratona de shows. Mudei de ideia e pus a nova meta a virada do ano. 2011 passou e eu continuo só na água com gás. As primeiras saídas foram difíceis. É ruim ficar sem ter algo para segurar em uma festa, mas o pior é não ter o fator desinibidor que a cerveja propicia.

O mau humor era grande, qualquer coisa irritava. Para compensar, a quantidade de cigarro aumentou demais. Em uma noitada, fumava fácil um maço, um maço e meio. Um absurdo, chegava a ter ressaca de nicotina no dia seguinte. Aos poucos, consegui normalizar a quantidade de cigarro até parar. Estou desde 26 de novembro sem acender um único Marlboro.

Tem sido engraçado (só que não) ver a reação das pessoas quando digo que parei de beber. A reação é sempre de espanto. Já ouvi que sou um alienígena por não beber; disseram que, por estar sóbrio, deixava as pessoas que bebiam desconfortáveis e inibidas. A pergunta mais comum é "quando voltas a beber". Depois de seis meses sem colocar uma única gota de álcool na boca, ouvi pela primeira vez um "que bom para você".

Enquanto todo mundo faz festa porque parei com o cigarro, muita gente se espanta com o fato de ter parado de beber. Sendo pragmático, acabar com a bebida faz muito mais sentido financeiramente do que com o cigarro. Isso por gostar de cervejas de alta fermentação, bem mais caras do que as pilsen encontradas em qualquer birosca.

O que me chateia é a imensa hipocrisia que faz as pessoas condenarem o cigarro e glorificarem a bebida. Dados da ONU apontam que o uso abusivo do álcool resulta, anualmente, em 2,25 milhões de mortes. Quanto ao tabaco, mata 5,1 milhões anualmente. Ok, o cigarro mata mais. Mas será que nessa estatística entram as pessoas mortas no trânsito por conta de um motorista bêbado? Da mulher que apanha todo dia até morrer do marido alcoolatra?

Ninguém vai ver a seguinte manchete: "Motorista que fumou demais atropela mulher grávida no reveillon". Mas com certeza lerá algo similar com álcool. Se não conseguiu entender meu ponto de vista até agora, então, vai lá: eu posso (ênfase no condicional) morrer por conta do cigarro. É o meu corpo, é o meu direito de escolha. Agora, dificilmente o meu vício terá uma repercussão na vida dos outros da forma que o álcool tem.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Periguete??

Tenho preguiça de conversar na balada. Sério, não dá. Eu quero ouvir a música que está rolando, só isso. Não vou a uma festa para colocar o papo em dia. Posso até fazer isso, mas definitivamente não vai acontecer na pista de dança. Só que muitas vezes a gente tem que parar e conversar, ser simpático e tal. Aí acontece um curto diálogo como o de hoje:

Eu: Oi, querida, tudo bem?
Ela: Oi, tudo. Ei, pera aí, do que você me chamou?
Eu: Eu te chamei de querida. Por que, o que tu entendeste? Algo ruim?
Ela: Sim, eu entendi que você me chamou de periguete!

Putz!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ano novo, músicas velhas

Não sou muito de celebrar datas. Aniversário, natal, ano novo, páscoa, tudo fez mais sentido para mim quando era criança. Hoje, não faço muita questão, para falar a verdade. Mas entendo que muita gente tenha interesse especial nelas. Promessas, confraternizações, estados de alegria momentânea... tudo faz parte. Desde que saí de Florianópolis, tenho a mesma rotina de fim de ano: natal é com a família na capital catarinense e a virada com os amigos no planalto central.

Mais uma vez, o ritual foi cumprido no reveillon de 2011/12. Festinha classe A na casa de um camarada, bondoso e paciente o suficiente para receber uma pá de gente na sua casa. Uma galera tocando o melhor (e o pior) do rock e do pop de todos os tempos. Foi bem divertido. Claro que tudo fica melhor quando os amigos estão por perto; com música boa e minhas águas com gás (fuck yeah, desde julho sem beber e de novembro sem fumar) então, totalmente excelente.

Para não perder o hábito, anotei as duas sequências que eu fiz. Na primeira, tive a ajuda do camarada Bruno. Já a segunda foi dividida com o mestre Bode Velho. Ah, antes que eu esqueça. Definitivamente nesta festa eu recebi o pedido mais bizarro de todos os tempos como DJ. "Toca algo Jovem Pan", pede um rapaz. Como assim, o que isso significa? Ele não soube explicar. E eu fiquei sem entender...

Primeira sequência:
1- Mark Ronson ft. Amy Winehouse - Valerie
2- The Cure - Walk
3- Franz Ferdinand - No you girls
4- Blur - Boys and girls
5- Phoenix - Consolation prizes
6- Justice - We are friends
7- Gossip - Love long distance
8- Yeah Yeah Yeahs - Heads will roll
9- Madonna - Hung up
10- Katy Perry - I kissed a girl
11- Cee Lo Green - Fuck you
12- Ting Tings - Great dj
13- Peter Bjorn & John - Young folks
14- The Smiths - The boy with the thorn in his side
15- Backbeat Band - Mr. Postman
16- Queen - Under pressure
17- Kaiser Chiefs - I heard it though the grapevine

Segunda sequência (em negrito as que eu toquei):
1- T-Rex - Get it on
2- New Order - Blue monday
3- Soup Dragons - I'm free
4- The Cure - Boys don't cry
5- Dead Kennedys - Viva Las Vegas
6- System of a Down - Chop suey
7- Nine Inch Nails - Closer
8- Siouxsie and the Banshees - The passenger
9- Electric Six - Radio gaga
10- The Cure - A night like this
11- Journey - Don't stop believing

sábado, 24 de dezembro de 2011

1991 foi um ano bom

Tinha 12 anos quando comecei a ouvir música com mais atenção. Sinceramente, não poderia ter escolhido ano melhor. Até então, meu aparelho de som conhecia basicamente uma fita cassete com a gravação de "Appetite for destruction", o primeiro disco do Guns'n'Roses. Ouvi aquela Basf mal gravada até dizer chega. Tanto que até hoje, passadas duas décadas, ainda sei as 12 músicas da estreia da banda de Axl Rose de cor.

Tava aqui relembrando de alguns discos que foram lançados em 1991. O "Nevermind" mereceu um post à parte por aqui. Forçando a memória, eu lembro bem que "Blood sugar sex magic" e "Ten" foram lançados na mesma época. Assim como o álbum preto do Metallica. Aí olhando na Wikipedia, vi outros lançamentos que me marcaram de uma maneira ou de outra. "Loco live" foi a minha porta de entrada para o Ramones, uma das minhas bandas prediletas de todos os tempos.

Apesar de muita gente preferir o "Superunknown", eu sempre gostei mais do "Badmotorfinger", terceiro disco do Soundgarden. Tinha aquele vinil que rolava o lado A sem parar, especialmente entre as faixas Rusty cage, Outshined e Jesus Christ pose. Como livros, filmes e qualquer outra forma de arte, a música tem seu tempo para passar a fazer sentido e entrar na vida de alguém. Outros dois discos de 1991 tiveram esse efeito em mim.

Mesmo conhecendo muito tempo depois, "Leisure" virou meu disco predileto do Blur. É sempre a ele que recorro quando quero ouvir a banda. Ou quando quero tocar algo numa festa. Já não aguento Song 2 e boa parte de "Blur", o primeiro CD deles que comprei. O outro é "Out of time", do REM. Losing my religion tocava o tempo todo na MTV, mas confesso que não dava muita bola para aquele cara com o rosto furado que dançava estranho no clipe. Depois que fui entender e me ligar como aquilo era bom!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Um livro por minuto

Eu sou louco por livros, por livrarias, por sebos. Além de visitar com frequência os bons comércios da capital, gosto também de fazer uma ronda quando vou a outras cidades. Por sorte, termina hoje a Feira do Livro de Florianópolis. Eu estou tão desconectado das notícias que nem sabia que estava rolando. E olha que a minha orientadora tinha comentado quando a visitei no início da semana! Nem me toquei do que ela estava falando...

Só vi que estava rolando porque passei pelo centro histórico de Florianópolis na quarta de manhã. Parei o carro longe de onde deveria estar; por isso, acabei trombando com a estrutura de lona que abriga os estandes de livrarias e editoras. Não sei se é minha memória afetiva ou se o mercado encolheu demais. Eventualmente pipocam notícias dizendo que o mercado literário está aquecido (ah os termos de economistas), que as vendas são boas, etc. Não é o que pareceu na Feira do Livro.

Boas opções para crianças e para adolescentes. Desde livros para os pequenos aprenderem o alfabeto pintando (comprei um para a sobrinha/afilhada) até os recentes romances água com açúcar sobre vampiros e lobisomens não faltam. No entanto, foi um tanto difícil achar algo para mim. Nada parecia muito atraente. De qualquer maneira, consegui levar dois livros que devem render boas leituras. Um deles eu já tinha visto, o outro era novidade.

Mas o melhor foi a conversa com um dos atendentes do estande onde fiz minhas compras. Eu queria saber do A privataria tucana, do ex-colega Amaury Ribeiro Jr. Após me contar uma história que parecia saída de um livro de John Grisham ("o Serra comprou toda a primeira edição. O FHC vai comprar toda a segunda para ninguém ler"), veio o lamento: "Todo ano tem um livro que salva o Natal. Este ano era este".

Para ter uma ideia, o vendedor me disse que em Florianópolis apenas a Livraria Catarinense conseguiu umas cópias. Foram 60, todas vendidas em um intervalo de uma hora. Um livro por minuto. Caramba, a Geração Editorial deve estar rindo à toa. "Aqui você não vai conseguir esse livro. Eu vou tentar, eu quero ler e vender. Nem que seja uns dez livros", disse o vendedor. Para ler, ele disse que vai baixar na internet. Mas que vai continuar ma busca para render uns trocados, isso ele vai.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Uma boa cidade para passar as férias

Em um intervalo de sei lá quantos anos, duas frases dizem muito sobre a minha relação com Florianópolis. Nascido na Carmela Dutra, morando a vida inteira na Trindade, estudando no Coração de Jesus e depois na UFSC, fazendo o possível e o impossível para estar em todos os jogos do Avaí, nunca passou pela minha cabeça sair da cidade e ir morar em outro lugar. Isso mudou. Dos tempos que eu costumava afirmar que "não podemos viver os sonhos dos professores" a ouvir que tinha perdido o meu "aspecto provinciano", muita coisa aconteceu. E toda vez que volto à capital de todos os catarinenses eu me lembro porque aqui me sinto como um visitante, para depois de um tempo ficar ansioso para voltar para minha casa no planalto central.

Não concordo com a frase cada vez mais repetida por aqui, "eu moro onde você passa férias". Ela é usada geralmente como legenda de alguma foto de alguma bela imagem de Florianópolis. Claro que dá uma invejinha de quem pode morar em uma cidade com tantas belezas, sejam elas naturais ou do seu povo. Porém, o dito provicionismo, aquele que eu mesmo tinha, apaga um pouco a imagem boa da capital. A falta de opções culturais reais, de boas livrarias, de bons cinemas, o trânsito cada vez mais caótico, os preços cada vez mais exorbitantes, tudo isso faz com que a inveja logo passe e se transforme em alívio.

Veja bem, isso sou apenas eu. Minha relação com a cidade mudou radicalmente. Daquela pessoa que nunca queria sair daqui, que nunca viveria o sonho dos professores - época da UFSC, quando os mestres nos aconselhavam a sair de Florianópolis para ter uma carreira -, pouco resta. Gosto de passar um tempo aqui, aproveitar a família e reencontrar os amigos. Porém, esse clima de praia me dá preguiça... Junta com tudo que escrevi no segundo parágrafo e não vejo a hora de voltar para Brasília. Maluco eu? Talvez um pouquinho, nada além do normal. :)

sábado, 24 de setembro de 2011

Caramba, 20 anos?


"O tempo passa, o tempo voa, mas a poupança Bamerindus continua numa boa." Realmente, o tempo passa muito rápido. A vida é um sopro, como disse Niemeyer. Tanto que o banco da propaganda não existe há muito tempo, assim como o contexto de inflação galopante inserido na peça publicitária. E tudo passa tão rápido que nem parece que há 20 anos o Nirvana lançou o que foi (talvez) o último disco a mudar o cenário da música mundial.

Foi um segundo semestre de1991 prolífico: além de "Nevermind", teve o "Blood sugar sex magic", do Red Hot Chili Peppers, e "Ten", do Pearl Jam. Enquanto o disco do RHCP saiu no mesmo dia do álbum do Nirvana, a estreia de Eddie Vedder e companhia chegou às lojas dos EUA um mês antes. Mas estava escrito nas estrelas (hehehe) que seria Kurt, Krist e Dave os caras responsáveis por virar a indústria musical de cabeça para baixo.

Chega de contexto histórico, este texto não é sobre isso; é da minha relação com "Nevermind". Lembro bem da primeira vez que ouvi falar em Nirvana. Alguns meses depois do lançamento nos EUA, conversava com um amigo por telefone. Devia ser janeiro ou fevereiro de 1992. Ele sempre passava as férias no Rio de Janeiro e voltava com as novidades do que estava rolando para a roça que Florianópolis era na época.

Ele não parava falar do Nirvana, do clipe de Smells like teen spirit, o quanto aquilo era legal, que já tinha aprendido a tocar um trecho no violão. Tínhamos 12 anos na época, começando a ouvir rock'n'roll, sem as facilidades de hoje... Naquela época, minha principal fonte de informação era a finada e saudosa revista Bizz. Eu tinha lido sobre o Nirvana, a resenha de Nevermind tinha saído numa edição anterior. Mas a única imagem que eu tinha dos caras era a capa do disco, não fazia ideia de como a banda soava.

Depois de um tempo de espera, consegui comprar o vinil. Era impressionante tudo aquilo... Um mundo novo se abriu pra mim, um garoto que começava a ouvir rock e se inclinava mais para o heavy metal. Digo jocosamente que "Nevermind" me salvou; se não fosse por ele, seria metaleiro até hoje. Claro que existe muita romantização aí, sem muito rigor histórico. Ao mesmo tempo que me abriu uma nova gama de bandas (todas aquelas do grunge), continuei ouvindo metal, coisa que faço até hoje.

O que mais me impressiona no disco é que ele não soa datado. Nunca saberemos se Kurt queimou toda sua criatividade em "Nevermind", como alguns gostam de dizer. Mas olha, serviu para ficar entre os melhores de todos os tempos, junto com "Back in black", "London calling", "Revolver" e "Let it bleed". Quer companhia melhor do que essa?

Para relembrar, a música que mais gosto de todo o disco:

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A culpa também é minha

Tento dormir e não consigo. Uma dor de cabeça me persegue desde que cheguei em casa do trabalho. Já foram dois paracetamol e nada dela dar trégua. Teve uma pequena quando enterrei a cabeça no livro mais recente do Dennis Lehane, que mistura negros, irlandeses, italianos, gripe espanhola, movimento anarquista e desemprego nos Estados Unidos das primeiras décadas do século passado. Aí voltou quando eu, sem sono, resolvi ligar o computador e dar uma olhada no que o povo falava por aí.

Aí comecei a achar que parte da minha dor de cabeça vinha do resultado do dia na Câmara. O amor não estava escrito nas estrelas, mas a absolvição da deputada filha do ex-governador do Distrito Federal estava. Nesta hora, as pessoas atiram para o mesmo alvo. Detonam a classe política, enxergam um grupo hetegêneo como um só. E nivelam pra baixo. Nada me cansa mais - e piora minha dor de cabeça - do que o maniqueísmo. A preguiça de entrar em uma discussão já é grande. Como na tirinha do Dilbert, parece que as pessoas aprenderam a discutir na internet...

Entre o branco e o preto existem vários tons de cinza, diz o senso comum. É verdade. Quer dizer, pelo menos eu gosto de pensar que é. Analisemos o caso em questão. A deputada foi filmada em 2006 recebendo dinheiro da mãos de um notório delator do que ficou conhecido como o maior esquema de corrupção do país. Talvez não fosse o maior, mas com certeza o mais documentado... Três anos depois a casa caiu pra muita gente. Um governador foi preso acusado de subornar uma testemunha do caso, vários vídeos vieram à tona. Menos o da deputada em questão.

No ano passado, três deputados se estreparam. Dois tiveram que renunciar e uma outra foi cassada pelos colegas. Seus vídeos tinham o mesmo roteiro da deputada que foi salva ontem. Maço de dinheiro sai de uma mão e vai parar na outra. Depois entra numa bolsa, é colocado nas meias, tem oração agradecendo. Parece até um filme pornô. Mudam os diálogos, o objetivo é o mesmo. A diferença é que as imagens, gravadas na mesma época, tiveram quase dois anos de diferença até o público ficar sabendo.

Com a absolvição, vêm as teses: joguem uma bomba no Congresso! Queremos os militares de volta! Político é tudo corrupto! As duas primeiras nem são consideráveis, mas a terceira que eu quero discutir. Sim, existem políticos corruptos. A sensação que temos é que não são poucos. Talvez, até, que formem uma maioria. Agora, eles simplesmente não se autodeclararam eleitos para os cargos que estão. Eles tiveram votos suficientes para receber o diploma e depois tomar posse. Ou seja, o eleitor também tem culpa.

Pesquisas mostram que boa parte dos eleitores esquecem em quem votaram nas eleições proporcionais, aquelas para vereador e deputado. E quem já trabalhou em campanha política percebe a diferença dos pleitos feitos a um candidato para prefeitura ou governo e de um para deputado. Enquanto no primeiro caso geralmente as pessoas querem saber o que será feito para sua população, para sua área, no segundo é o que ele vai fazer "por mim". Ou seja, o interesse é direto e pessoal. É emprego, é dinheiro, é favor.

Essa é uma parte do problema, que sinceramente não termina aí. Ao mesmo tempo que votaram e escolheram mal seus representantes, não temos o hábito ainda de cobrar de nossos representantes posturas éticas, ilibidas, condizentes com o cargo que assumem. Enquanto o sentimento de corpo cresceu muito - os pisos nacionais dos professores e dos policiais são dois exemplos -, é bem lento o movimento contra a corrupção. Nós não temos que temer os governantes; eles é que têm que temer a gente.

Agora, não se pode colocar a culpa exclusivamente nos eleitores. A culpa é compartilhada com os financiadores de campanha, que em boa parte das vezes escolhem o destino do dinheiro de acordo com seus interesses empresariais. É compartilhada com uma Justiça lenta, que leva décadas para julgar políticos dos seus mal feitos. É compartilhada com um Ministério Público que arquiva denúncias com quase nenhuma investigação. E também por um sentimento dos próprios políticos de que o mandato pertece a eles, e não à sociedade que os elegeu.

Resumindo, existem muitas nuances que acabam resultando na absolvição de ontem. Temos culpa sim. Ela faz parte de um contexto mais amplo do que podemos imaginar. Repito a frase: os políticos precisam temer a população, os eleitores. Quanto mais cobrança e fiscalização da nossa parte, melhor. O nosso voto pode levar um ao Congresso. Mas, a partir do momento que ele chega lá, faz parte de um conjunto. E é esse conjunto que precisamos acompanhar, pressionar, fiscalizar, protestar. A mudança tem que acontecer através da gente.

Atualização: tive que dar uma atualizada no post após ler outras coisas. Tipo uma moça reclamando, após apresentar uma série de problemas, que não existem lideranças no combate à corrupção. E, por isso, não se envolvia... Sério que ela acredita no que disse? Gente que vive reclamando do Tiririca e nunca fala do Maluf ou do Natan Donadon. Gente que propõe criação de hash tags no Twitter como forma de protesto. Cara, que preguiça...

Crédito da foto: Diógenis Santos/Agência Câmara

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Pode deixar o chapéu

E aí o camarada Túlio veio e já voltou para a Indonésia. Rolou uma despedida básica no Beirute, com uma esticada em um famoso cabaré da cidade. É engraçado ver a escolha de músicas das strippers. Se é que são elas mesmas que escolhem... tem uns chavões, umas coisas impensáveis e outras simplesmente ruins (para meu gosto, claro). Papo vem, papo vai, fiquei pensando numa listinha à Rob Flemming, o personagem da literatura mais citado na história deste blog. Tá, ele deve ser o único, mas vamos lá a mais um top 5. Desta vez, ele será dividido em duas partes: quatro chutes e um chavão rocks para tirar a roupa.

Os quatro chutes:
1- Faith no More - Edge of the world
Ok, eu sei que a música é sobre pedofilia. E toda vez que a ouço lembro do João Gordo dizendo, numa Bizz de muito muito tempo atrás, que Mike Patton era doente. Mas ela tem uma malícia (também pudera) e um ritmo propício para uma dança mais lenta, com boas manobras no poste. A canção se segura basicamente na voz de Patton, no piano e na bateria; o baixo está ali, em união com tudo isso. Até pela letra, uma fantasia de colegial casa bem com a música.



2- Black Keys - Howlin' for you
Não tem declaração maior do que quando um cara diz que está uivando para a mulher. É o que diz uma das melhores músicas deste discaço do Black Keys. Esta, mais acelerada, transborda sensualidade. Se for iniciante, talvez tenha problemas em acompanhar. Ah, convenhamos que o clipe ajuda bastante nisso. Essa mistura de Machete com Kill Bill dá muitas ideias.



3- Queens of the Stone Age - Make it wit chu
Quando li a Juliett Lewis classificando a música do QotSA como uma das mais sexies de todos os tempos, não concordei. Mas olha, tem seus encantos. Ritmo, letra e melodia em perfeita sintonia para um bom strip. Toda vez que ouço, fico imaginando um birosca de beira de estrada, cheia de caminhoneiros e mulheres da vida, fumaça de cigarro, uísque barato nos copos e um palco no meio de tudo isso.



4- Nine Inch Nails - Closer
"I wanna fuck you like an animal, I wanna feel you from the inside." Com um refrão como esse, Trent Reznor canta a agonia do cara que morre de tesão por uma mulher, que precisa do sexo para se sentir menos pior. Com sua batida eletrônica, Closer tem o necessário para uma boa dança, especialmente se misturada a elementos S&M.



... e um chavão:

5- Joe Cocker - You can leave your hat on
Não basta a letra falar de strip. A música tem que ser trilha de dois filmes em cenas de... strip! É claro que a leitura de Cocker para a canção escrita por Randy Newton ficou imortalizada com a cena de Kim Basinger tirando a roupa para Mickey Rourke em 9 1/2 semanas de amor. Agora, em Ou tudo ou nada ela ganhou um contorno cômico. Chavão porque, além de estar em filmes e ser sempre lembrada por isso, sempre é o som de alguma stripper em algum cabaré por aí.




sábado, 23 de julho de 2011

You know that I'm no good

Lembro bem do dia que conheci Amy Winehouse. Já tinha lido sobre ela, colegas recomendavam. Até que entrei na FNAC e coloquei "Back to black" para ouvir. A ideia era dar o disco de presente para uma (hoje) amiga, já que a inglesa era costumeiramente comparada a Nina Simone. Ao ouvir Rehab pela primeira vez, experimentei algo que não sentia há tempos. Surpresa e deslumbramento misturados que imediatamente resultaram em um sorriso no rosto e a certeza que estava ouvindo um disco que entraria para a história da música.

Quatro anos depois, estou vendo televisão quando vem a notícia que Amy morreu. Que triste! Não me sentia assim desde que Kurt Cobain morreu. E aí comecei a pensar que a história de ambos é mais parecida do que podemos supor. Além da tal coincidência de fazerem parte do Clube dos 27 - junto com Jim Morrison, Janis Joplin e Jimi Hendrix, entre outros - os dois eram pessoas extremamente apaixonadas pela música, donos de talentos extraordinários. Ficaram conhecidos mundialmente após o lançamento de seus segundos discos. Kurt e o Nirvana com "Nevermind", Amy com o já citado "Back to black".

Não é só isso. Parece que ambos tinham extrema dificuldade em lidar com tudo que vinha a reboque da fama alcançada por seus trabalhos. Kurt repetidamente dizia que não queria nada daquilo. Depois do lançamento de "In utero", último disco de estúdio do Nirvana, ele já dava sinais que queria sair da banda, fazer outras coisas. Não estava interessado em excursionar pelo mundo (talvez nunca esteve), em gravar mais com os colegas Krist Novoselic e Dave Grohl, em tocar Smells like teen spirit e por aí vai. Durante a curta carreira da banda - cinco anos -, entrou e saiu de clínicas de habilitação por conta do vício em heroína, teve uma overdose em Roma e acabou dando um tiro de espingarda na cabeça em abril de 1994.

Mais do que Kurt, Amy agonizou em praça pública por um bom tempo. Suas brigas com o (ex) marido Blake, as entradas e saídas do rehab, as quedas no palco, o esquecimento de letras durante os shows. Fez a fama de muitos papparazzi por conta de seus excessos em público. E também começou a atrair a atenção mórbida de muita gente. No show que ela fez em São Paulo em janeiro, muitos vibravam cada vez que ela esquecia parte de uma letra, torciam para que ela caísse. Saíram frustrados... Não foi um grande show, talvez nem bom. Mas, de qualquer maneira, foi possível presenciar ao vivo um daqueles talentos que aparecem bem de vez em quando.

Vi muita gente dizendo que Amy morreu por conta das drogas. Teve até comparação com Keith Richards, notório doidão que até hoje está aí cheirando todas. São coisas diferentes. Acho que para a cantora as drogas foram o caminho, o meio, para fugir de um mundo onde ela não conseguia se adaptar. Nunca foi aquela coisa de "vamos curtir, vamos cheirar todas" e ficar viciada até não ter mais como viver sem beber até cair, sem cheirar até o fim. Se não fosse desta maneira, ela encontraria outra até sair desta vida para sempre.



"I wish I could say no regrets
And no emotional debts
'Cause as we kissed goodbye the sun sets
So we are history
The shadow covers me
The sky above a blaze
That only lovers see"

Tchau, Amy.

sábado, 30 de outubro de 2010

It's the end of Landscape as we know it...

... and I don't feel fine.

Michael Stipe que me perdoe, mas não tinha como não me apropriar de um dos clássicos do REM para começar esse texto. Talvez nem todos saibam. No entanto, quem acompanha a cena alternativa/rock de Brasília não poderá dizer que se sentiu surpreso. O Landscape Pub, o inferninho mais legal de Brasília, vai fechar. Cansados de trabalhar na noite, os donos Fágner e Pedro decidiram largar tudo e buscar novos rumos.

Uma pena, já que Brasília pode ficar órfã de um lugar massa no estilo para festas rock legais. O Landscape tinha sua cara, seu público. Sempre considerei como minha segunda casa. Foi lá que comecei a dar som por aqui, não muito depois de me mudar para a capital do país. Foi lá que o primeiro dono, o grande Bosco, cunhou meu "nome de guerra". O que antes era um apelido dado por um colega de faculdade (Marinácio), virou uma alcunha imponente (Super Mario Bros).

Foi na Landscape que toquei em várias festas legais. E também em algumas roubadas... Mesmo assim, sempre me diverti muito por lá, estivesse tocando ou não. Foram Fágner e Pedro que resolveram apostar na Pulp. E fizemos seis edições lá, todas sensacionais. Afe, como esquecer a especial de carnaval? Junto com a edição de aniversário, a minha favorita. Uma pena que não poderemos nos despedir propriamente. Este é o último fim de semana da casa.

Na esperança de manter a chama das festas alternativas de rock acesa, os chapas Fágner e Pedro colocaram a casa à venda. É só bater um papo, os caras são gente boa. O contato é landscapepub@hotmail.com. Para eles e para quem tiver como comprar o Landscape, for those about to rock, we salute you!

Texto publicado originalmente no blog da Pulp.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

All we need is... love?

A festa rola que é uma beleza. Pista cheia, aquela fumaça misturada de cigarro e gelo seco, pessoas suadas, alegres e dançantes. A música segue uma certa lógica. Aquele rock alternativo de quase sempre, os hits que todos gostam de cantar. A hora, então, com o julgamento mais alterado, já é propícia para tocar algo mais pop. Em lugares mais tolerantes, sim. Pelo que tenho lido e visto, não pode mais nas minhas duas cidades.

Leio em um blog que já não me lembro mais qual é da insatisfação da galerinha alternativa ao ver outras pessoas de diferentes "tribos" (argh, se eu escrever isso de novo, xinguem-me, por favor!) ao começar a frequentar as festinhas do antigo puteiro. A música de repente fica mais acessível. O público diverso. Patricinhas de salto de acrílico e bolsas da Louis Vitton dividem o mesmo espaço com adolescentes lésbicas de óculos quadrados e cabelos cortados por facões. Playboyzinhos de camisa polo e rapazes de bigode e camiseta do Artic Monkeys.

São estereótipos, claro. Mas dá para entender a divisão. Há um choque de culturas. Casais homossexuais reclamam dos olhares tortos que ganham do povo novo na festa. E a galera acostumada às boates mais caras da cidade estranham aquele ambiente de permissividade, aquela alegria toda. Aí, ambos os lados assumem uma postura intransigente. "Não volto mais lá, só tem viado!", diz um. "Não ponho mais meus pés lá enquanto esses heteros homofóbicos forem lá", replica o outro.

Muda de cidade e de situação. No Planalto Central, começa uma campanha para que não sejam mais tocadas músicas de uma determinada cantora pop. Tem uma plaquinha dizendo para ninguém insistir bem na frente das CDJs. Ah, se mesmo assim um desavisado sugerir um hit sequer dela, vai ouvir um dos pioneiros do trash metal no lugar. Ao mesmo tempo, o mesmo povo que boicota a canção quer "ensinar" aos outros o que ouvir.

Um dos gênios da ideia diz a um blog famoso no meio da música alternativa que não é nada contra o pop. Para ele, a cantora em questão não possui qualidade. Com a intenção de provar como ele entende de música, cita outras cantoras pop que costuma tocar. Quando parte para um argumento assim, tão fácil de ser descontruído, é sinal de que tudo que inventou foi por birra. Até arrogância, coloquemos assim. Ele (s) quer (em) ensinar e ditar às pessoas o que elas devem ouvir.

Em comum, nos dois casos, a falta de tolerância. Vivemos em um mundo cada vez mais intolarante, binário, maniqueísta. Isso me cansa. Tenho tido cada vez mais preguiça de seguir nesse ambiente podre. Nem insisto mais em discutir. Não adianta querer convençar com pessoas que acreditam viver num mundo de preto e branco, sem reconhecer as diferentes matizes, as diversas cores e diversos lados que compõem a vida. O pior é ver a intolerância aumentar cada vez num ambiente lúdico, da arte: a música.

É preciso exercitar a tolerância. Por trás de uma postura supostamente homofóbica, pode muito bem existir uma pessoa que repele, inicialmente, aquilo que não conhece. Mas, depois, adapta-se e esquece tudo que pensava no começo. O mesmo caso na música. Com todo acesso facilitado que hoje existe, foi-se o tempo que alguém conhecia uma banda nova na pista. Na maioria, quem sai, quer se divertir. E não ter que aturar mundinho interior de DJs indies.